08:52 27 Setembro 2020
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    O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, formará milícias armadas do povo assim "como na Venezuela", caso volte a seu país, informou à Reuters em declaração feita na Argentina, onde reside atualmente.

    Em seus comentários, o ex-presidente exilado se refere à Milícia Bolivariana, um dos grupos armados e força de choque venezuelana, composta por civis (reservistas), ex-militares e oficiais que funcionam como um braço operacional que hoje apoia o governo de Nicolás Maduro.

    "Na Bolívia, se as Forças Armadas estão atirando nas pessoas, matando pessoas, as pessoas têm o direito de organizar sua segurança", comentou Morales em entrevista à Reuters no domingo (12).

    Na gravação divulgada pela estação de rádio Kawsachum Coca, Morales considerou um "enorme erro não ter tido um plano B" para defender o seu governo. Seu mandato desmoronou após vários dias de protestos de cidadãos e a declaração pública do Comando das Forças Armadas, que pediu sua renúncia.

    "Por que este golpe de Estado? Reconhecemos que temos confiado muito; foi um erro enorme, não tínhamos um plano B", lamentou.

    "Se eu voltar à Bolívia, temos de organizar como na Venezuela, milícias armadas do povo", comentou Morales na gravação.

    Crise boliviana

    A crise política na Bolívia começou após os resultados das eleições presidenciais de 20 de outubro de 2018, ganhada por Evo Morales, que exerceu a presidência por mais de 14 anos. O seu principal rival, o candidato da oposição Carlos Mesa, não aceitou os resultados da votação.

    No contexto de protestos em massa, Morales anunciou novas eleições, mas isso não estabilizou a situação. Pressionado por políticos militares, ele renunciou ao cargo e se exilou no México.

    Ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, em ato das Mães da Praça de Maio, em Buenos Aires, Argentina, em 26 de dezembro de 2019
    © REUTERS / Agustin Marcarian
    Ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, em ato das Mães da Praça de Maio, em Buenos Aires, Argentina, em 26 de dezembro de 2019

    As autoridades da Bolívia deram presidência interina à segunda-vice-presidente do Senado, Jeanine Áñez. O Tribunal Constitucional confirmou a legalidade da transferência de poder.

    A nova liderança boliviana anunciou novas eleições gerais a serem realizadas no dia 3 de maio.

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    Tags:
    Venezuela, milícia, exílio de Evo Morales, Evo Morales
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