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    Após um ano de 2019 repleto de escândalos e problemas de todo o tipo na Boeing, Giovanni de Briganti, um especialista militar, diz que o executivo da companhia aérea deve sofrer uma mudança radical.

    Giovanni de Briganti, analista de defesa e editor-chefe do portal Defence-Aerospace, afirma respondendo em uma entrevista à Sputnik International que não se pode imputar culpas a pessoas individuais.

    Segundo ele, nem David Calhoun, o novo CEO da Boeing e membro do Conselho de Administração da companhia há uma década, nem ninguém na companhia "pode fazer muito para salvar a situação", especialmente tendo em conta que o conselho considera que o recém-demitido CEO, Dennis Muilenburg, teve e continua sendo bem visto pelo mesmo, incluindo o próprio Calhoun.

    Em sua opinião, praticamente todo o Conselho de Administração deve ser substituído.

    "Todo o Conselho [de Administração] tem de se demitir, e tem de ser obrigatoriamente substituído, não por gestores, mas por pessoas com integridade incontestável e com credibilidade técnica: engenheiros, pilotos e/ou reguladores", declarou.

    "A Boeing foi apanhada em um escândalo de corrupção em torno do contrato de reabastecedores para a Força Aérea americana há alguns anos, e agora sabemos que foram suprimidos memorandos internos sobre os problemas dos 737 MAX. É por isso que as pessoas estão tentando se dissociar da Boeing, e sua influência está desaparecendo rapidamente", relatou Briganti em resposta a uma questão sobre o nível de lobby perante o governo de empresas norte-americanas contratadas pelo Pentágono.

    'Luta' contra a gigante europeia

    Em resposta ao fato de que o Airbus A320 já tem mais vendas, apesar de ter menos quase 20 anos que as versões do Boeing 737, o especialista afirmou que a Boeing já perdeu a concorrência contra a Airbus em certos aspetos.

    "Na minha opinião, a Boeing já perdeu a concorrência para o segmento de corredor único, que agora será ainda mais dominado pelo A320 e suas versões, incluindo o mais recente A321XLR de longo alcance", afirmou Giovanni de Briganti.

    Mudança em toda a vertente

    O analista de defesa assume que os problemas não estão limitados ao tão criticado modelo 737 MAX.

    "Não há garantias que o 737 venha a recuperar, porque, além do MAX, também existem novos problemas técnicos com o 737 NG".

    "A melhor solução é uma nova direção tomar o cargo, matar todo o programa 737, assumir um grande encargo financeiro, limpar a casa muito publicamente colocando engenheiros de volta no comando, e depois se concentrar no resto da linha de produtos enquanto desenvolve o Novo Avião de Médio Porte (NMA), o sucessor de longa data do 737", apontou.

    "E, simbolicamente, deveria mudar sua sede de volta para Seattle, onde pertence, perto das suas fábricas e dos seus empregados. Foi isso que a Airbus fez há alguns anos, quando mudou sua sede mundial de Paris para Toulouse, o seu principal centro de produção, e isso foi visto como um passo positivo", recomenda.

    "O 737 é agora apenas um peso morto, e o NMA é a única esperança da Boeing de permanecer competitiva. Se não, a Boeing vai se tornar a Bombardier de amanhã", concluiu o especialista militar.

    Recorde-se que Dennis Muilenburg, o CEO da Boeing, abandonou a companhia na segunda-feira (23) em meio a uma série de escândalos relacionados com falhas na aviação e nos modelos do Boeing 737 MAX, incluindo os desastres aéreos em 2018 e 2019.

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    Tags:
    EUA, Boeing 737, Boeing
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