08:34 24 Setembro 2020
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    O recém-empossado presidente da Argentina, Alberto Fernández, declarou neste domingo (23) que seu país está em "calote virtual" e comparou a situação atual com a de 2001 – a pior na história do país platino.

    A economia argentina deve retrair em 3,1% neste ano. O país sofre há 18 meses com recessão e grave crise econômica desencadeada por forte queda no valor do peso argentino.

    "Não é o mesmo que em 2001, mas é semelhante. Na época, a pobreza atingia 57% [da população], hoje temos 41% de pobres. Naquela época, estávamos em situação de calote da dívida. Agora, estamos em calote virtual", disse o presidente argentino em entrevista a uma televisão local.

    Na sexta-feira (20), a Argentina anunciou que não pagará os cerca de US$ 9 bilhões (R$36 bilhões) em vencimentos, o que provocou a queda nas suas notas de risco determinadas pelas agências Fitch e S&P.

    "Nós herdamos isso", notou o presidente, acrescentando que em 2001 "não tínhamos um processo inflacionário como o de agora".

    O presidente obteve apoio do Congresso Nacional para tomar medidas de urgência no campo econômico. O pacote emergencial deve entrar em vigor nesta segunda-feira (23), reportou a AFP.

    Manifestantes na frente da Casa Rosada, sede do governo argentino, protestam por aumento no programa de sopas grátis fornecidas pelo governo à moradores de rua, em setembro de 2019
    © AP Photo / Natacha Pisarenko
    Manifestantes na frente da Casa Rosada, sede do governo argentino, protestam por aumento no programa de sopas grátis fornecidas pelo governo à moradores de rua, em setembro de 2019

    Apesar do pacote, medidas impostas por seu antecessor, Maurício Macri, como a imposição de um teto para compras de dólares em US$ 200 (R$ 820), devem ser mantidas.

    "Precisamos acabar com esse hábito de poupar em dólares", disse, referindo-se à prática difundida na Argentina de poupar dinheiro em moeda estrangeira.

    A inflação anual argentina bateu os 55%, e suas reservas internacionais estão próximas a zero. A dívida externa alcançou cerca de 90% do PIB.

    "O nível de decadência em que estamos é muito grande [...] em dois anos a Argentina ficou endividada de uma maneira impactante."

    Em outubro de 2018, o Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou um pacote de US$ 5,7 bilhões (R$ 23 bilhões) para a Argentina, a fim de estabilizar a economia do país, após doze anos sem ele recorrer ao fundo.

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    dívida externa, calote, default, economia, Alberto Fernández, Mauricio Macri, Argentina
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