08:50 23 Janeiro 2020
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    A presidente autoproclamada da Bolívia, que assumiu o cargo interinamente após golpe de Estado, afirmou que pretende convocar eleições na Bolívia "o quanto antes", mas sem Evo Morales candidato.

    Áñez afirmou que um dos objetivos de seu mandato é "a convocatória de eleições o quanto antes, tal como estabelecido na Constituição".

    No entanto, a ex-senadora não reconhece decisão do Tribunal Constitucional do país, que permitiu que Evo e seu então vice-presidente, Álvaro García Linera, pleiteassem um quarto mandato.

    "Evo e Álvaro não estão habilitados a um quarto mandato", disse a dirigente.

    Porém, a ex-senadora, que assumiu o mandato em sessão parlamentar sem quórum, não negou ao partido de Evo, o Movimiento al Socialismo (MAS), o direito de tomar parte nas eleições:

    "Digam ao Movimento al Socialismo (MAS) que eles tem direito de participar das eleições e que podem ir procurando candidato", disse a ex-senadora.

    A candidatura de Evo gerou polêmica na Bolívia: em 2017, em referendo, a população havia votado contra um quarto mandato consecutivo. O Tribunal Constitucional do país, no entanto, reverteu a decisão.

    "Não é a primeira vez que Morales roubou o voto dos bolivianos. Ele já fez isso antes, em 21 de fevereiro", acusou a ex-senadora, em referência ao plebiscito.

    Por que Evo Morales renunciou?

    Neste domingo (10), consumou-se um golpe de Estado na Bolívia: as Forças Armadas e a Polícia exigiram publicamente que o presidente da República, Evo Morales, renunciasse ao cargo. Coagido, Evo renunciou e recebeu asilo político no México.

    A crise política boliviana teve início após as eleições presidenciais de outubro. Os resultados preliminares, que apontavam para a vitória de Evo já no primeiro turno, levaram a oposição a convocar protestos. O líder opositor, Carlos Mesa, acusou o presidente e o Tribunal Eleitoral do país de fraudar as eleições.

    Presidenta autoproclamada da Bolívia, Jeanine Áñez, cumprimenta o novo comandante da Polícia boliviana, Rudolfo Montero, em 14 de novembro de 2019
    © REUTERS / Marco Bello
    Presidenta autoproclamada da Bolívia, Jeanine Áñez, cumprimenta o novo comandante da Polícia boliviana, Rudolfo Montero, em 14 de novembro de 2019

    A Organização dos Estados Americanos (OEA) solicitou uma auditoria às eleições, o que foi acatado pelo então mandatário Evo Morales. Mesmo antes da apresentação do relatório final da OEA, a Organização reivindicou novas eleições.

    Apesar de Evo Morales ter concordado com a celebração de um novo pleito – e não somente de um segundo turno  –  as Forças Armadas e a Polícia 'solicitaram' a renúncia do mandatário.

    Como Jeanine Áñez chegou ao poder?

    Após a renúncia de Evo, diversos membros de alto escalão do governo também renunciaram, incluindo a presidente do Senado. Em meio à crise, a segunda vice-presidente do Senado, Jeanine Áñez, se autoproclamou chefe de Estado interina da Bolívia, em sessão que não contou com o quórum legislativo necessário para a sua aprovação no cargo.

    Apoiadores de Evo Morales empunham a bandeira Wiphala em novos protestos em La Paz, em 14 de novembro de 2019
    © REUTERS / Carlos Garcia Rawlins
    Apoiadores de Evo Morales empunham a bandeira Wiphala em novos protestos em La Paz, em 14 de novembro de 2019

    De acordo com a Constituição boliviana, o parlamento deve, primeiramente, reconhecer ou rejeitar a renúncia de Evo Morales. Só após o reconhecimento pode iniciar o processo de sucessão. Não obstante, o Tribunal Constitucional boliviano acatou a autoproclamação, em nome do princípio da "continuidade".

    Reconhecimento do Governo Áñez

    O governo dos EUA reconheceu a senadora opositora Jeanine Áñez como presidente interina da Bolívia. O governo brasileiro também reconheceu a autoproclamação de Jeanine Áñez. O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, declarou que a percepção do Brasil é de que "a Constituição boliviana está sendo respeitada".

    Em contrapartida, o governo argentino, liderado pelo adversário político de Kirchner, Maurício Macri, ainda não aceitou o novo governo boliviano. O chanceler uruguaio, por sua vez, declarou que seu país só reconhece "presidentes que ascendem ao cargo por via de eleições".

    Apoiadores do presidente deposto Evo Morales manifestam nas ruas de La Paz, empunhando a bandeira Wiphala, em 12 de novembro de 2019
    © REUTERS / Marco Bello
    Apoiadores do presidente deposto Evo Morales manifestam nas ruas de La Paz, empunhando a bandeira Wiphala, em 12 de novembro de 2019

    A Rússia reconheceu a liderança de Áñez, mas o vice-ministro das Relações Exteriores, Sergei Ryabkov, ressaltou, nesta quinta-feira (14), que "nós consideramos tudo o que antecedeu a mudança de poder como atos equivalentes a um golpe de Estado".

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    Tags:
    golpe de Estado, eleições, Evo Morales, Bolívia
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