17:32 24 Janeiro 2020
Ouvir Rádio
    Américas
    URL curta
    261016
    Nos siga no

    O presidente deposto da Bolívia denuncia ilegalidade após a segunda vice-presidente do Senado boliviano se autoproclamar chefe de Estado interina do país, em sessão realizada sem quórum legislativo.

    O presidente deposto da Bolívia, Evo Morales, denunciou nesta terça-feira (12) a manobra realizada pela representante da oposição, Jeanine Áñez Chávez, para assumir o cargo de presidente interina do país: "Consuma-se o golpe mais ardiloso e nefasto da história".

    A autoproclamação de Áñez Chávez foi realizada sem votação, em sessão que não obteve quórum em nenhuma das câmeras do Congresso boliviano.

    "Uma senadora da direita golpista se autoproclama presidente do Senado, e logo depois presidente interina da Bolívia, sem quórum legislativo, rodeada por um grupo de cúmplices e apoiada pelas Forças Armadas e pela polícia, que reprimem o povo", escreveu Morales em sua conta no Twitter.

    ​O presidente deposto denunciou perante a comunidade internacional "que a autoproclamação viola a Constituição da Bolívia e as normas internas da Assembleia Legislativa".

    "[A autoproclamação] é consumada por cima do sangue dos nossos irmãos assassinados pelas forças policiais e militares, utilizadas para o golpe", declarou Evo Morales.

    De acordo com o mandatário deposto, a autoproclamação vai contra a Carta Magna, que estipula os procedimentos em caso de renúncia presidencial e as regras de sucessão constitucional da presidência do Senado e da Câmara dos Deputados.

    Apoiadores do presidente deposto Evo Morales manifestam nas ruas de La Paz, empunhando a bandeira Wiphala, em 12 de novembro de 2019
    © REUTERS / Marco Bello
    Apoiadores do presidente deposto Evo Morales manifestam nas ruas de La Paz, empunhando a bandeira Wiphala, em 12 de novembro de 2019

    "Esta autoproclamação atenta contra os artigos 161, 169 e 410 da Constituição, que determinam a aprovação ou rejeição de uma renúncia presidencial, a sucessão constitucional da presidência do Senado ou da Câmara de deputados e a supremacia da Constituição. A Bolívia está sofrendo um assalto ao poder do povo".

    ​O mandatário deposto não poupou críticas ao ex-candidato Carlos Mesa, que contestou a sua derrota nas últimas eleições presidenciais, acusando-o de "pisotear a Constituição política do Estado, destruir a democracia e massacrar o povo".

    Crise política na Bolívia

    A senadora da oposição Jeanine Áñez Chávez se autoproclamou presidente interina da Bolívia no início sessão conjunta no Congresso, suspendendo-a logo depois por falta de quórum.

    Grupo de manifestantes Cochala celebra a autoproclamação de Jeanine Áñez, nas ruas de Cochabamba, em 12 de novembro de 2019
    © REUTERS / David Mercado
    Grupo de manifestantes "Cochala" celebra a autoproclamação de Jeanine Áñez, nas ruas de Cochabamba, em 12 de novembro de 2019

    Apesar da falha processual, o Brasil reconheceu a ascensão da senadora ao cargo mais alto da Bolívia, nesta terça-feira (12). O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, declarou que "nossa percepção é a de que a Constituição boliviana está sendo seguida".

    Após sofrer pressão das Forças Armadas, Evo Morales renunciou ao cargo de presidente da república neste domingo (10). A renúncia se deu em meio à grave crise política no país andino, desencadeada após a oposição não reconhecer a derrota nas eleições presidenciais realizadas em outubro.

    Mais:

    Trump chama renúncia de Evo Morales na Bolívia de 'momento significativo para a democracia'
    Forças Armadas são enviadas às ruas na Bolívia para conter protestos
    Departamento de Estado dos EUA ordena retirada de seus funcionários da Bolívia
    Tags:
    asilo político, golpe, renúncia, Evo Morales, Bolívia
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar