14:49 22 Novembro 2019
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    Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixando a carceragem da Polícia Federal de Curitiba

    Elite latino-americana não aceita ascensão dos pobres, diz Lula em mensagem ao Grupo Puebla

    © Folhapress / Eduardo Anizelli
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    O ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou sua intenção de participar do processo de integração latino-americana durante uma mensagem gravada que enviou ao Grupo Puebla, reunido em Buenos Aires neste sábado.

    "Tenho o objetivo de constituir uma forte integração regional latino-americana", afirmou ele na gravação transmitida durante a cerimônia de abertura da segunda reunião realizada pelo Grupo Puebla, órgão regional de esquerda que reúne 32 líderes progressistas de 12 países.

    O ex-presidente reconheceu que ainda continua "com o sonho de construir nossa grande América Latina", por isso está disposto "a viajar pelo Brasil e pela América Latina".

    Em sua mensagem, Lula foi firme ao anunciar que combaterá "o lado podre do Judiciário, o lado podre da Polícia Federal, do Ministério Público e das empresas brasileiras".

    "É importante termos coragem e enfrentá-los, porque a elite latino-americana é uma elite muito conservadora e não aceita a ideia de um povo pobre na escada das conquistas sociais", afirmou.

    Você só pode melhorar a vida de todos os países "se as pessoas respeitarem os pobres e lhes derem trabalho e permitirem uma melhor distribuição de renda", acrescentou.

    O petista, libertado na véspera, parabenizou vários líderes regionais presentes no Grupo Puebla, incluindo o presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, a ex-presidente brasileira Dilma Rouseff, e o ex-ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, este uma "figura vanguardista da integração latino-americana".

    Lula também destacou a vitória na Bolívia do presidente Evo Morales, "apesar do crime" de que foi vítima, afirmou.

    No final da gravação, o ex-presidente brasileiro também enviou "um abraço a todos os camaradas de todos os países participantes do Grupo Puebla".

    O grupo tem entre seus membros mais proeminentes os ex-presidentes Rafael Correa (Equador, 2007-2017), Dilma Rousseff (Brasil, 2011-2016), Lula (2003-2011), Fernando Lugo (Paraguai, 2008-2012), e José Luis Rodríguez Zapatero (Espanha, 2004-2011).

    Grupo Puebla acompanha mensagem de Lula durante encontro em Buenos Aires
    © REUTERS / Agustin Marcarian
    Grupo Puebla acompanha mensagem de Lula durante encontro em Buenos Aires

    A organização também é composto pelo ex-presidenciável petista Fernando Haddad, o candidato à presidência da Frente Ampla no Uruguai, Daniel Martínez, e o ex-ministro de Relações Exteriores do Equador, Guillaume Long, entre outros.

    ​A primeira reunião deste fórum ocorreu em Puebla, México, de 12 a 14 de julho, quando as bases foram lançadas para a sua criação.

    'Voz da América Latina'

    De acordo com o presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, o Grupo Puebla se tornará a voz que representa a América Latina para o mundo.

    "O Grupo Puebla será a voz que surge diante do mundo para contar o que está acontecendo na América Latina", disse o líder peronista do Emperor Hotel, no norte da capital argentina, durante a inauguração do segundo encontro desse grupo.

    Como um fórum para líderes progressistas da região, o Grupo Puebla também será o exemplo de "deixar os líderes que defenderão a América Latina que os grandes líderes de nossa independência sonharam", acrescentou Fernandez.

    ​Para isso, será necessário "garantir as liberdades no continente, respeitando cada povo e incentivando-os a encontrar sua liberdade", no desejo de viver em uma região "mais igualitária", prosseguiu.

    O líder peronista, que governará a Argentina a partir de 10 de dezembro, anunciou que no sábado pela manhã havia conversado por quase uma hora com o presidente da França, Emmanuel Macron, em uma conversa "esplêndida".

    Fernández disse ao presidente da França que "todo esse tempo eles conquistaram outras vozes" na América Latina.

    O que acontece na Bolívia, por exemplo, é que "uma classe dominante não se resigna a perder o poder na frente de um presidente que é o primeiro presidente daquele país a parecer bolivianos", afirmou.

    Em seu diálogo com Macron, Fernández também se referiu ao que acontece no Chile, "onde 1% da população se apropria de 30% da renda".

    Para que o Chile recupere a paz, o país deve ser redirecionado "em um modelo mais igualitário", afirmou Fernandez.

    "Eu gostaria que o presidente [Sebastián] Piñera fizesse um esforço maior, porque o Chile está reivindicando, porque essa é a maneira de pensar sobre a paz no Chile", insistiu.

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    Sebastián Piñera, Emmanuel Macron, Celso Amorim, Fernando Lugo, José Luis Zapatero, Rafael Correa, Alberto Fernández, Foro de São Paulo, Fernando Haddad, diplomacia, política, governos de esquerda, Frente da Esquerda, esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva, Buenos Aires, Curitiba, Argentina, Brasil
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