17:55 11 Novembro 2019
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    Manifestantes protestam após as eleições na Bolívia

    Fraude por trás da ideia de fraude: ministro da Justiça da Bolívia explica desestabilização no país

    © REUTERS / Ueslei Marcelino
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    O ministro da Justiça da Bolívia afirma que não houve quaisquer fraudes durante as eleições e que o líder da oposição, Carlos Mesa, que perdeu, sabe isso muito bem e é por essa razão que não admite uma auditoria internacional.

    Em entrevista à Sputnik Mundo, o ministro da Justiça do país, Héctor Arce, afirmou que não ocorreram quaisquer fraudes durante as eleições presidenciais. De acordo com ele, é por ter perdido que Carlos Mesa não admite a auditoria, que começou no dia 31 de outubro no pano de fundo de crescente violência por parte da oposição.

    "O que se passou é uma terrível injustiça, a mobilização desnecessária das pessoas, é ter paralisado a vida das cidades e dos departamentos, conturbado a nação, ter atentado contra as vidas dos bolivianos só para sustentar uma mentira. Onde está a fraude? Um só exemplo?", pergunta Héctor Arce.

    O ministro chama a atenção para o fato de Carlos Mesa e seu partido não terem apresentado nenhuma prova de fraudes nem qualquer pedido a uma instância de justiça ou administrativa.

    Além disso, a Comunidade Cidadã observou todo o processo das eleições e por isso Carlos Mesa e seus aliados entendem que não teve nenhumas fraudes, afirma Arce.

    O ministro explicou que mais de 30.000 delegados do partido de Mesa acompanharam as eleições e não foi feita nenhuma queixa.

    Segundo Arce, Carlos Mesa está contra a realização da auditoria internacional porque tem os documentos sobre a votação e sabe que perdeu com uma diferença de mais de 10%.

    'Erro' do Tribunal

    O ministro boliviano afirmou que o Tribunal Eleitoral Superior cometeu um erro óbvio ao parar a contagem de votos em 83%, transferindo-a para o dia seguinte, provocando assim a suspeita de fraude.

    De acordo com Arce, "o tribunal deve explicar" o seu erro. Mas, diz ele, a contagem rápida nunca é admitida como resultado final oficial e agora está sendo realizada a verificação completa, com a participação dos 30 representantes internacionais.

    O ministro sublinhou as possíveis consequências do recálculo. Se for encontrado um erro e Evo Morales não alcance os 10% de diferença exigidos, então haverá 2º turno. Mas, de acordo com Arce, não se trata da demissão do presidente.

    'Golpe de Estado'

    Para o ministro, o que se passa agora é uma "tentativa de golpe de Estado". A estratégia de Mesa e dos outros líderes da oposição é "criar um precedente para a desestabilização do governo legítimo formado", afirma Arce.

    Candidato à presidência da Bolívia, Carlos Mesa, participa de protestos em La Paz, em 22 de Outubro de 2019
    © REUTERS / Ueslei Marcelino
    Candidato à presidência da Bolívia, Carlos Mesa, participa de protestos em La Paz, em 22 de Outubro de 2019

    Segundo ele, foi no quadro deste cenário que foram organizados os confrontos ocorridos em La Paz na noite de 31 de outubro para 1 de novembro e os incidentes em Santa Cruz, nos quais morreram duas pessoas.

    "É terrivelmente lamentável que se percam vidas humanas, a razão da existência do Estado é a proteção da vida", afirma o ministro.

    Héctor Arce disse ainda que foi iniciada uma "investigação profunda" para encontrar os culpados e aplicar uma punição exemplar.

    Eleições de 20 de outubro

    Após a vitória nas eleições presidenciais do atual presidente da Bolívia, Evo Morales, com 47,08% dos votos, o líder da oposição, Carlos Mesa, não reconheceu os resultados e pediu um 2º turno. Após a recusa da comissão eleitoral, os apoiadores de Mesa saíram nas ruas e provocaram manifestações violentas.

    Do seu lado, o governo do país chamou observadores exteriores para realizarem uma auditoria aos resultados da votação.

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    Tags:
    Evo Morales, Carlos Mesa, Bolívia, eleições presidenciais
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