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    Candidato à presidência da Bolívia, Carlos Mesa, participa de protestos em La Paz, em 22 de Outubro de 2019

    Bolívia: Mesa diz que só não assumirá presidência se for preso

    © REUTERS / Ueslei Marcelino
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    Carlos Mesa, candidato derrotado nas eleições da Bolívia, disse nesta segunda-feira (28) que será preciso levá-lo preso para evitar que assuma a presidência do país, endurecendo o discurso contra Evo Morales. 

    "Aqui estou: ou a prisão ou a presidência do país", disse Mesa, que governou a Bolívia entre 2003 e 2005, diante de milhares de seguidores em La Paz. A declaração foi feita a poucos quilômetros de ato para celebrar a vitória do presidente reeleito, que estava presente na festa. 

    Mesa vem convocando protestos contra o resultado da votação de 20 de outubro. Segundo ele, o processo foi fraudado. Enquanto isso, na cidade de El Alto, nas cercanias da capital, Morales afirmou que os opositores "buscam mortos para jogar a culpa no governo". O mandatário conquistou sua terceira reeleição consecutiva, tornando-se o líder mais longevo da América Latina. 

    Morales, mais uma vez, disse que o governo está disposto a aceitar uma auditoria internacional das eleições. Durante a contagem, houve uma interrupção temporária da divulgação em tempo real do resultado, o que gerou acusações de fraude pela oposição. Antes da suspensão, o resultado parcial sinalizava segundo turno. O Brasil não reconheceu a vitória do líder indígena. 

    A manifestação em La Paz aconteceu após uma jornada de protestos, na qual houve confrontos. Pelo menos 30 pessoas ficaram feridas, a maioria em Santa Cruz, algumas por disparos de armas de fogo. 

    Mesa convoca ato em frente à sede presidencial 

    Mesa é acusado de incitar a violência, mas ele nega e diz que o governo mente "descaradamente" para desqualificar os protestos. "Tenham confiança de que não me rendo, não se dobrem, não se rendam, sigam adiante", bradou aos apoiadores. 

    Ele aproveitou para convocar um ato nesta terça-feira (29) em frente à Casa Grande do Povo, sede presidencial. 

    Morales, por sua vez, pediu aos movimentos sociais que "não caiam na provocação" e defendam o resultado eleitoral pacificamente. 

    Evo Morales, presidente da Bolívia, durante coletiva de imprensa no palácio La Casa Grande del Pueblo, em La Paz, em 24 de outubro de 2019
    © REUTERS / David Mercado
    Evo Morales, presidente da Bolívia, durante coletiva de imprensa no palácio La Casa Grande del Pueblo, em La Paz, em 24 de outubro de 2019

    No sábado (26), no entanto, ele disse que tinha grande apoio nas áreas rurais do país e ameaçou sitiar cidades caso a oposição não desistisse de contestar as eleições. "Se eles querem greves, sem problemas. Vamos nos juntar a eles cercando cidades. Vamos ver se eles podem aguentar", afirmou.

    No domingo (27), o presidente disse que forças opositoras estariam preparando um golpe contra o governo.

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    Tags:
    América do Sul, Carlos Mesa, Evo Morales, governo, eleições, Bolívia
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