17:32 12 Novembro 2019
Ouvir Rádio
    Manifestantes protestam contra a violência policial e pedem nova constituição para o Chile

    Toque de recolher termina no Chile e Piñera pede para todos ministros renunciarem

    © REUTERS / Ivan Alvarado
    Américas
    URL curta
    521
    Nos siga no

    Embora em menor número, manifestantes voltaram à ruas do Chile neste sábado (26), mas pela primeira vez desde que o governo decretou estado de emergência não houve toque de recolher. 

    Um dia após mais de um milhão de pessoas realizarem passeata em Santiago, maior protesto no país desde a redemocratização, o presidente chileno, Sebastián Piñera, prometeu mudanças no governo e disse que os cargos de todos os ministros estavam à disposição. 

    "Pedi a todos os ministros colocarem os cargos a disposição para poder estruturar um novo gabinete para poder enfrentar essas novas demandas e lidar com os novos tempos", disse Piñera, segundo publicado pela agência Reuters.

    O presidente, no entanto, não afirmou quando pretende fazer essa mudança ministerial. Piñera mudou seu gabinete por duas vezes em 15 meses. O governo já fez uma série de concessões, como congelar tarifas de energia e transporte e aumentar pensões e o salário mínimo. 

    Estado de emergência pode ser retirado no domingo 

    Além disso, o chefe de Estado disse que o estado de emergência decretado por ele há uma semana pode ser retirado neste domingo (27), caso as "circunstâncias permitam". 

    "Estamos em uma nova realidade. O Chile é diferente do que era há uma semana", disse o presidente. 

    Os militares, por sua vez, anunciaram que o toque de recolher seria levantado neste sábado, como pôde ser comprovado nas ruas do país. A presença do exército diminuiu nas ruas da capital em relação aos dias anteriores. Mesmo assim, centenas de manifestantes se concentraram em frente ao Palacio de la Moneda, em Santiago, e foram dispersados por jatos de água. Também houve confronto na cidade portuária de Valparaíso, sede do legislativo. 

    A maior parte das linhas de metrô voltaram a operar, assim como os ônibus. O comércio reabriu. 

    Cerca de 1 milhão de pessoas saem às ruas de Santiago, no Chile.
    © REUTERS / Juan Gonzalez
    Cerca de 1 milhão de pessoas saem às ruas de Santiago, no Chile

    A onda de protestos no país, que começou contra um aumento no preço das passagens do metrô, deixou um saldo até o momento de 19 mortes e 7 mil detidos. Houve saques, confrontos e incêndios. Os manifestantes denunciam brutalidade policial. A ONU anunciou que enviará uma missão ao país para investigar violações dos direitos humanos. 

    As reivindicações extrapolaram a alta das tarifas no transporte e se tornaram um pedido por melhores condições sociais, saúde, educação e pensões. Muitos também pedem a renúncia de Piñera, que no início da crise adotou um discurso de confronto, chegando a afirmar que o Chile estava em "guerra".

    Mais:

    'Estamos em guerra', afirma presidente do Chile
    Presidente do Chile apresenta agenda social para encerrar protestos
    Chile diz que protestos não o impedirão de sediar cúpulas globais previstas para 2019
    Congresso do Chile é evacuado após tentativa de invasão (FOTOS, VÍDEOS)
    Tags:
    américa latina, Sebastián Piñera, estado de emergência, Santiago, manifestação, protestos, Chile
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar