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    'Ameaça real': negociador uruguaio sobre declarações da França em relação ao Mercosul

    © AFP 2019 / Juan Mabromata
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    A declaração da França de que não assinará o acordo entre o Mercosul e a União Europeia em função da política ambiental do governo brasileiro ameaça a ratificação do tratado, afirmou à Sputnik membro da equipe negociadora uruguaia, Sebastián Hagobian.

    Nesta terça-feira (08), a ministra do Meio Ambiente da França afirmou que o seu país não vai assinar o acordo de livre comércio com o Mercosul, devido à política ambiental do Brasil, "que não respeita a Amazônia" e que, segundo ela, não cumpre os compromissos assumidos no âmbito do Acordo de Paris sobre o clima.

    "A França é indubitavelmente um ator muito relevante na União Europeia, e se ela não ratificar o tratado, isso significa uma ameaça real", disse Hagobian.

    De acordo com o negociador uruguaio, para entender a posição da França, é preciso considerar que o governo francês está sofrendo forte pressão do setor agrícola do país. O Mercosul é dotado de uma agricultura muito competitiva, que irá rivalizar fortemente com o setor agrícola francês caso o acordo seja ratificado.

    Confronto de palavras entre Bolsonaro e Macron

    Nos últimos meses, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, engajou-se em um confronto de palavras com o seu homólogo francês, Emmanuel Macron, acusando-o de "mentalidade colonialista" e de perseguir objetivos políticos pessoais.

    As declarações foram uma resposta à decisão do líder francês de incluir o tema dos incêndios na Amazônia na agenda do encontro do G7.

    Em resposta às declarações de Bolsonaro, Macron acusou o brasileiro de não cumprir os compromissos assumidos no âmbito no Acordo de Paris sobre o clima e posicionou-se contra a assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia.

    Acordo Mercosul-União Europeia

    O Mercosul é uma zona de livre comércio que integra quatro membros fundadores, o Brasil, a Argentina, o Paraguai, o Uruguai e também a Bolívia, cujo processo de adesão se encontra nas fases finais, e a Venezuela, que está temporariamente suspensa em função da aplicação da cláusula democrática prevista no Protocolo de Ushuaia.

    Brasil recebe da Argentina a Presidência pró-tempore do Mercosul, em agosto de 2019
    © Foto / Agência Brasil
    Brasil recebe da Argentina a Presidência pró-tempore do Mercosul, em agosto de 2019

    Juntos, os membros fundadores do Mercosul representam 75% do PIB da América do Sul e o quinto maior PIB mundial, estimado em RS$ 11,38 billhões. O comércio intra-bloco cresceu nove vezes desde a criação do Mercosul, em 1991, atingindo RS$ 167 bilhões anualmente.

    Em 28 de julho deste ano foi anunciada a conclusão das negociações do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, após vinte anos de negociações. Os países integrantes de ambos os blocos devem, agora, ratificar o acordo.

    O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, declarou que o acordo com o Mercosul é o maior e mais abrangente acordo de livre comércio negociado pelo bloco europeu. O acordo prevê a diminuição de parte significativa das tarifas de comércio entre as duas regiões.

    No entanto, em função da recente crise desencadeada pelos incêndios na floresta amazônica, alguns países da União Europeia se posicionaram contra a ratificação do acordo.

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    Tags:
    Bolsonaro, Emmanuel Macron, França, Acordo de Livre Comércio entre União Europeia e Mercosul, Mercosul
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