05:52 22 Outubro 2019
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    Protestos em Equador contra reformas de Lenín Moreno, 3 de outubro de 2019

    Movimentos indígenas bloqueiam estradas no Equador contra pacote do governo

    © REUTERS / Ivan Castaneira
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    O movimento indígena no Equador permanece nesta segunda-feira (7) bloqueando rodovias do país, enquanto o governo convoca os manifestantes a dialogar após 5 dias de protestos contra medidas de austeridade do presidente Lenín Moreno. 

    Vias importantes no norte e no centro do Equador estão fechadas com pedras, paus e pneus em chamas. O trânsito na região é complicado. Em uma das entradas para Quito, os manifestantes bloquearam a pista com caminhões. No centro da cidade, a polícia colocou barreiras para isolar o Palácio de Governo. 

    Os protestos, que começaram na semana passada e terminaram em confronto, são um desafio para o governo, que busca reduzir o déficit fiscal e cumprir os termos de um programa econômico de 3 anos firmado com o Fundo Monetário Internacional (FMI). 

    Após uma greve de dois dias do setor de transportes, os grupos indígenas tomaram à frente das manifestações contra o fim do subsídio aos combustíveis. Sindicatos e movimentos sociais convocaram uma greve geral para quarta-feira (9). 

    Presidente pediu diálogo

    "Estou decidido a dialogar com os irmãos indígenas, com quem compartilhamos causas. Falemos sobre como usar os recursos para os mais necessitados", disse Moreno em cadeia nacional neste domingo (6), segundo publicado pela agência Reuters.  

    O presidente declarou estado de emergência por dois meses e disse que não desistirá de colocar fim aos subsídios aos combustíveis. Segundo o governo, as isenções causaram um prejuízo de 60 bilhões de dólares em décadas de vigência. 

    A ministra do Interior, María Paula Romo, afirmou para uma rádio local que 477 pessoas foram presas, a maioria por atos de vandalismo, e cerca de 12 ambulâncias atacadas. 

    Apesar de contar com apoio de militares e empresários, a popularidade de Lenín Moreno diminuiu para menos de 30%, contra 70% na época de sua eleição. O atual mandatário foi vice do ex-presidente equatoriano Rafael Correa. Antigos aliados, os dois são atualmente adversários políticos. Correa teve a prisão decretada no ano passado e pediu asilo na Bélgica, onde vive hoje. 

    Além de terminar com os subsídios, o governo está diminuindo o número de funcionários do estado e planeja realizar algumas concessões públicas. Segundo os defensores das medidas, o pacote de austeridade vai trazer uma economia de 2,27 bilhões de dólares. Os críticos, no entanto, afirmam que a população pobre é a mais prejudicada.

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    Tags:
    Lenin Moreno, austeridade, FMI, economia, indígenas, manifestação, protestos, Equador
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