06:03 19 Setembro 2019
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    Chaco paraguaio

    Situação por incêndios na região do Chaco paraguaio é crítica e desanimadora, diz prefeito

    © AP Photo / Jorge Saenz
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    Com 34 focos de incêndio, a situação do Chaco paraguaio é crítica e desanimadora, disse em entrevista para a Sputnik o prefeito da cidade de Filadelfia, Holger Bergen.

    A região, considerada a segunda maior floresta tropical da América do Sul, está entre as 11 com maior índice de desmatamento do mundo. Bergen afirmou nesta segunda-feira (9) que o fogo está ressurgindo em alguns pontos.

    "Ontem foram reportados 34 focos de incêndio. Hoje me comunicaram que existem várias áreas novas onde o fogo está reaparecendo. A situação é desanimadora. Bombeiros, peões, voluntários e fazendeiros estão trabalhando. Hoje estão chegando ao limite de suas forças, estão super cansados, pois estão trabalhando quase sem descansar", explicou para a Sputnik.

    O chaco é a região mais extensa do Paraguai, com 250.900 quilômetros quadrados e 234 mil habitantes. A cidade de Filadelfia está localizada no centro do bioma, a 470 quilômetros de Assunção. O ministro de Emergência Nacional, Joaquín Roa, anunciou que dois aviões hidrantes devem chegar do Brasil para ajudar no combate ao fogo.

    No dia 2 de setembro, as autoridades, após uma operação de 10 dias, informaram que o incêndio na localidade de Bahía Negra, no departamento de Alto Paraguai, estava extinto. No entanto, no dia 7 de setembro, as queimadas ressurgiram devido às condições climáticas.

    Incêndios na América do Sul 

    A região do Chaco é mais uma da América do Sul que sofre com focos de incêndio. A Floresta Amazônica viu um aumento brutal nas queimadas no primeiro semestre desse ano, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

    "Realmente está muito feia a situação e hoje temos um vento mais forte do que em dias anteriores. Isso significa que os incêndios vão aumentar e são praticamente impossíveis de serem contidos sem uma maior assistência e aviões de maior capacidade. Com o vento forte, o trabalho dos bombeiros vai ser impossível e muito arriscado", lamentou o prefeito.

    Segundo ele, o estrago ainda está sendo avaliado, mas já é possível adiantar que o custo será "incalculável", pois muitos animais morreram. "Outros, que conseguiram sobreviver na área, não têm nada para se alimentar nesse momento, praticamente não ficou nenhum pasto e nenhuma planta em muitos quilômetros", disse Bergen.

    Tronco de árvore dentro do que resta do rio Pilcomayo, na região florestal conhecida como Chaco, no Paraguai, 25 de junho de 2016
    © AP Photo / Jorge Saenz
    Tronco de árvore dentro do que resta do rio Pilcomayo, na região florestal conhecida como Chaco, no Paraguai, 25 de junho de 2016

    Para mitigar o problema, está sendo construído um refúgio para os animais. No futuro, a ideia é repovoar a região afetada.

    O presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, assumiu a coordenação das tarefas para combater o fogo. No domingo, ele foi para a cidade de Mariscal Estigarribia, em Alto Paraguai, para acompanhar de perto os trabalhos.

    De acordo com o Instituto Florestal Nacional, 13.896 hectares foram atingidos na região do Monumento Natural Cerro Chovoreca, e 47.333 hectaes na zona de Rio Negro, próximo à Estação Três Gigantes.

    Desde 2001 o Paraguai perdeu 22 milhões de hectares de florestas, segundo dados da Universidade Nacional de Assunção.

    Parte do Chaco também é um bioma brasileiro, pois invade porções dos estados do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul que margeiam as áreas semialagadas do Pantanal.

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