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    Presidente dos EUA, Donald Trump, acena ao lado do presidente chinês, Xi Jinping, após coletiva de imprensa em Pequim, 9 de novembro de 2017

    Trump adverte China: se esperar eleições de 2020, Pequim pode ficar sem acordo comercial

    © AP Photo / Andy Wong
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    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou a China nesta terça-feira, afirmando que Pequim pode se dar mal se esperar o fim do seu primeiro mandato para finalizar qualquer acordo comercial. Segundo ele, se ganhar a reeleição na disputa presidencial de novembro de 2020, o resultado será pior para os chineses.

    Como uma nova rodada de negociações comerciais entre EUA e China começou em Xangai, Trump fez o alerta no Twitter: "O problema é eles estarem esperando [...] é que, se e quando eu ganhar, o acordo que eles conseguirem será muito pior do que o que nós estamos negociando agora... ou nenhum acordo".

    Trump declarou que a China parece estar recuando na promessa de comprar produtos agrícolas dos EUA, o que, segundo autoridades americanas, pode ser um gesto de boa vontade e parte de qualquer pacto final.

    "A China [...] deveria começar a comprar nossos produtos agrícolas agora - sem sinais de que eles estão fazendo isso. Esse é o problema com a China, eles simplesmente não cumprem", escreveu Trump em uma série de tweets.

    Autoridades norte-americanas e chinesas retomaram as negociações após as conversas terem estagnado em maio, em uma tentativa de encerrar a guerra comercial de um ano marcada por tarifas fixas, mas ainda devem resolver diferenças profundas, mantendo baixas as expectativas para a reunião de dois dias desta semana.

    Espera-se que as negociações se concentrem em gestos de "boa vontade" como o compromisso chinês de comprar commodities agrícolas norte-americanas e medidas dos EUA para aliviar as sanções à gigante de telecomunicações Huawei Technologies Co., disse uma fonte próxima às discussões à Agência Reuters.

    Huawei nos EUA

    Em São Paulo, o secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, ponderou que as decisões sobre os pedidos de licenças de empresas norte-americanas para retomar algumas vendas para a Huawei podem ocorrer já na próxima semana.

    O Departamento de Comércio dos EUA colocou a Huawei em uma lista negra de segurança nacional em maio, proibindo efetivamente as empresas americanas de vender para a Huawei, uma medida que enfureceu as autoridades chinesas.

    Trump havia concordado no mês passado em permitir algumas vendas à Huawei em uma reunião com o presidente chinês Xi Jinping, mas até agora, os fabricantes de semicondutores e software dos EUA ainda estão em grande parte no escuro sobre os planos do governo.

    Um logotipo da Huawei é exibido em uma loja de eletrônicos em Hong Kong.
    Um logotipo da Huawei é exibido em uma loja de eletrônicos em Hong Kong.

    A guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo abalou os mercados financeiros globais que também foram pressionados pela reunião de política monetária dos EUA nesta semana e renovou as preocupações sobre a saída da Grã-Bretanha da União Europeia (UE).

    Falando depois aos repórteres na Casa Branca, Trump disse que as negociações comerciais estão indo bem com a China, mas acrescentou que os Estados Unidos "ou farão um grande acordo ou nenhum acordo".

    Jantar em Xangai

    A equipe de negociação dos EUA chegou para as negociações em Xangai na tarde desta terça-feira, mas o representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, ou o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, não foram vistos.

    As delegações dos EUA e da China pareceram ter chegado ao histórico Fairmont Peace Hotel, em frente ao rio, em Xangai, onde fontes dizem que as delegações dos EUA estão jantando, mas as duas equipes evitaram a mídia e não fizeram comentários públicos.

    Trump tem como alvo a China como parte de sua campanha "America First", que o ajudou a conquistar a Casa Branca em 2016, exigindo mudanças radicais na forma como a China faz negócios com o resto do mundo. Negociadores dos EUA exigiram novas proteções para a propriedade intelectual americana, um fim às transferências forçadas de tecnologia, restrições aos subsídios industriais chineses, acesso mais amplo aos mercados chineses e aumento das compras chinesas de bens dos EUA para ajudar a equilibrar uma enorme lacuna comercial.

    Trump apostou sua reeleição, em parte, na força da economia dos EUA e na renovação das relações comerciais dos EUA com a China, a Europa, o Japão, o México e o Canadá.

    Nesta terça-feira, Trump também reiterou que Pequim pode interromper as negociações na esperança de fechar um acordo mais frouxo com "alguém como Elizabeth Warren ou Joe Biden", destacando dois candidatos presidenciais democratas, antes de reverter o rumo.

    "A China está louca para fazer um acordo comigo. Mas, quer eu faça ou não, depende de mim. Não cabe a eles", destacou. "A China está disposta a desistir muito. Mas isso não significa que estou disposto a aceitá-la".

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    Tags:
    relações bilaterais, Huawei, eleições, acordo comercial, tarifas, comércio, economia, Wilbur Ross, Xi Jinping, Donald Trump, Xangai, Estados Unidos, China
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