08:05 14 Outubro 2019
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    Soldado americano junto à bandeira dos EUA (arquivo)

    Relatório: EUA precisam de 'novo modo de guerra', senão arriscam ser derrotados pela Rússia e China

    © AP Photo / Hasan Jamali
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    A postura militar do Pentágono, baseada no domínio do pós-Guerra Fria, não vai funcionar contra as novas estratégias da Rússia e China e tem que ser atualizada o mais urgente possível. Caso contrário, os EUA se arriscam a perder a guerra contra outra potência, adverte um recente relatório.

    "A América precisa de um novo modo de fazer guerra", aponta o relatório publicado nesta quarta-feira por Chris Dougherty, representante do Centro da Nova Segurança Americana (CNAS, na sigla em inglês).

    "Pela primeira vez em décadas, é possível imaginar os Estados Unidos combatendo - e possivelmente perdendo - uma guerra em grande escala com uma grande potência. A ideia de que os Estados Unidos - com as forças armadas mais caras do mundo - podem perder essa guerra parece absolutamente absurda. No entanto, a possibilidade de guerra e de derrota dos EUA é real e crescente", avisa Dougherty.

    A China e a Rússia passaram quase duas décadas estudando o atual modo americano de combater e, enquanto os EUA ficam presos no quadro mental da estratégia militar e das operações posteriores à Guerra do Golfo de 1991, Moscou e Pequim têm elaborando novas estratégias e armas para derrotar os EUA em uma guerra, se necessário, aponta o autor.

    Chris Dougherty argumenta que Pequim e Moscou compensaram suas fraquezas respetivas utilizando o tempo e a geografia como vantagem e desenvolveram armas e estratégias para atingir as vulnerabilidades dos EUA e seus aliados nas operações militares dos EUA.

    O autor afirma que os Estados Unidos são um poder de 'status quo' existindo em um período de mudanças disruptivas, e que o modo de guerra que surgiu no pós-Guerra Fria não vai funcionar hoje em dia.

    O pesquisador aponta que não é possível voltar à era pós-Guerra Fria de dominância dos EUA.

    "Tudo isto se baseia em suposições estratégicas e operacionais que foram produto do período histórico anômalo de dominância norte-americana incontestada", escreve Dougherty. "As suposições desse período são agora profundamente incorretas ou completamente inválidas e devem ser atualizadas para a era da competição entre grandes potências".

    Nenhum dinheiro jogado no Pentágono irá ajudar se for usado para investir em "conceitos incorretos". Isso seria um desperdício de recursos e "uma enorme oportunidade perdida de fazer melhores investimentos", sublinha o autor do relatório.

    A simples percepção de que uma derrota dos EUA é possível poderia "desfazer" a constelação de alianças e parcerias que sustentam a ordem global que tem beneficiado Washington desde o fim da Segunda Guerra Mundial, adverte Dougherty.

    Neste relatório, Dougherty dá algumas ideias que ele já utilizou na Estratégia Nacional de Defesa, quando trabalhava no Pentágono. Ele se formou do Exército norte-americano como Ranger e também trabalhou no Centro de Estudos Estratégicos e Orçamentais. Em 2014 ele escreveu um ensaio na revista National Interest sobre o foco "míope" nas guerras curtas.

    Entretanto, ainda não é claro o efeito que esse estudo terá. Embora a administração Trump tenha aumentado o orçamento do Pentágono e prometa reformar o Exército "esgotado", ela não aprecia muito o Centro da Nova Segurança Americana. Esse “think tank” teve influência em Washington durante a administração Obama, tendo alguns de seus veteranos entre os diretores e o conselho consultivo.

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    Tags:
    Pentágono, relatório, China, Rússia, EUA
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