14:46 21 Setembro 2019
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    Tudo que estamos dizendo é: dê uma chance ao [processo de] impeachment, lê-se em placa durante protesto em frente à Casa Branca.

    Pronunciamento de Mueller divide democratas quanto a mover ou não impeachment contra Trump

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    Robert Mueller fez hoje um pronunciamento no Departamento de Justiça dos EUA em que elencou os resultados da investigação sobre a suposta colaboração entre a campanha eleitoral de Trump em 2016 e o ​​governo russo. O relatório não encontrou evidências de conluio, mas também não isentou o presidente de tentativa de obstrução da justiça.

    Mueller tentou explicar por que o relatório aponta passos da investigação e não sugere cursos específicos de ação.

    "A ordem que me nomeou procurador especial [para o caso de conluio] nos autorizou a investigar ações que pudessem constituir obstrução", disse Mueller na quarta-feira, observando que "se tivéssemos confiança de que o presidente claramente não cometeu um crime, teríamos dito isso. Não o fizemos. No entanto, não podemos determinar se o presidente cometeu um crime".

    Mueller observou ser um entendimento de "longa data" dentro do Departamento, o fato de que um "presidente não pode ser acusado de um crime federal enquanto estiver no cargo. Isso é inconstitucional". O agora ex-procurador observou ainda que "a Constituição exige um processo que não seja na justiça criminal para acusar formalmente um presidente de irregularidades". Em outras palavras: impeachment.

    O pronunciamento de Mueller — o primeiro desde que ele assumiu a função de averiguar a relação da campanha de Trump com os russos — causou furor no partido Democrata. O candidato à presidência Cory Booker escreveu no Twitter que "o Congresso tem uma obrigação legal e moral de iniciar imediatamente um processo de impeachment".

    Já a congressista Alexandria Ocasio-Cortez disse que Mueller estaria jogando "Taboo" com o Congresso, em referência ao jogo de cartas em que um jogador não pode dizer a palavra que os outros estão tentando adivinhar. "Esta palavra é impeachment", concluiu ela.

    Da mesma forma, o presidente do Comitê Judiciário da Câmara, Jerry Nadler disse em um comunicado que "dado que o Conselheiro Especial Mueller foi incapaz de acusar" o presidente, cabe ao Congresso dar uma resposta aos crimes, mentiras e outras irregularidades" alegadamente cometidas pelo republicano. "E nós o faremos”, escreveu.

    Não são apenas os democratas a pedirem a cabeça de Trump. Após o pronunciamento de Mueller, o republicano Justin Amash, foi ao Twitter se manifestar sobre a questão. Sem deixar dúvidas do que estava defendendo, o congressista escreveu: "A bola agora está em nossa corte. O Congresso".

    Tema divide a oposição e chances de sucesso são pequenas

    Após o pronunciamento de Mueller, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi repudiou a posição do Departamento dizendo que "ninguém está acima da lei — nem mesmo o presidente".

    "O Congresso considera sagrada sua responsabilidade constitucional de investigar e responsabilizar o Presidente por seu abuso de poder. O Congresso continuará investigando e legislando para proteger nossas eleições e garantir nossa democracia", disse ela.

    Nancy, porém, tem sido cautelosa ao tratar do assunto. Em outras ocasiões, a líder democrata se posicionou contra uma abertura de impeachment por considerar que o processo aumentaria a divisão no país e poderia prejudicar seu próprio partido nas eleições de 2020. 

    Além disso, são grandes as chances da tentativa de remover Trump do cargo naufragar. Embora seja a Câmara a responsável por abrir o processo (e por lá os democratas são maioria), é no Senado onde o julgamento efetivamente acontece.

    O Senado dos EUA é controlado pelo Partido Republicano por uma maioria de 53 a 47. Para que um presidente seja condenado em um processo de impeachment, é necessária uma maioria de 2/3 dos senadores, algo difícil de acontecer dada a popularidade de Trump entre os eleitores republicanos (83% de acordo com o instituto Gallup).

    "Eu acho que [um processo de impeachment] seria descartado muito rapidamente. Se for baseado no relatório Mueller, ou qualquer coisa assim, será descartado rapidamente", disse o presidente do Comitê Judiciário do Senado, Lindsey Graham, neste quarta-feira.

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    Partido Democrata, Partido Republicano, Comitê Judiciário do Senado dos EUA, Senado dos EUA, Congresso dos EUA, Comitê Judiciário da Câmara, Departamento de Justiça dos EUA, Lindsey Graham, Nancy Pelosi, Donald Trump, Jerry Nadler, Cory Booker, Robert Mueller, Estados Unidos
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