18:23 14 Novembro 2019
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    Líder da oposição e autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, durante a manifestação em Caracas

    'Absurdo': analista comenta possível intervenção militar dos EUA na Venezuela

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    A abertura de um possível diálogo entre o governo da Venezuela e a oposição através do Grupo de Contato Internacional (GCI) é "altamente positivo" em meio à ameaça de uma intervenção militar por parte dos EUA, opina o analista venezuelano e o membro da Comissão de Assuntos Internacionais do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, no poder), Roy Daza.

    "Perante uma situação tão delicada, tão extremamente grave, no momento em que o senhor Juan Guaidó [líder da oposição venezuelana] pediu através de seu representante em Washington que o governo dos EUA intervenha militarmente de maneira direta em nosso país, resulta muito oportuno e altamente positivo que se possa, através do Grupo de Contato, iniciar um diálogo político com a oposição na Venezuela", disse à Sputnik Mundo o especialista em assuntos internacionais Roy Daza.

    O grupo de contato é composto pela França, Alemanha, Itália, Holanda, Portugal, Espanha, Suécia, Reino Unido, Uruguai, Equador e Bolívia. Esses países se reuniram em fevereiro para encontrar uma saída pacífica para a crise política que a Venezuela enfrenta.

    Para Roy Daza, a presença de uma representação desse grupo na Venezuela é um sinal de que o país poderia se dirigir a um diálogo político e considera que o setor da oposição que é contra um golpe de Estado, sanções econômicas ou intervenção militar, poderia estar disposto a participar.

    Segundo o membro da Comissão de Assuntos Internacionais do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, no poder), apenas um pequeno grupo está apelando para uma ação militar na Venezuela.

    "Se fizermos uma sondagem de opinião, 99,99% dos venezuelanos, sem distinções políticas, não querem uma intervenção militar, nem sanções, nem guerra civil, nem golpe de Estado", acrescentou ele.

    Comentando o envio da carta por Carlos Vecchio, representante de Guaidó nos EUA, ao Comando Sul dos EUA para pedir "cooperação" sob o pretexto de reestabelecer a ordem democrática na Venezuela, o analista declarou que esse passo é "bastante contraproducente".

    O especialista em assuntos internacionais sublinhou que é "absurdo e contraproducente" que se planeje lidar com os problemas venezuelanos "por meio de uma catástrofe", referindo-se à ameaça de intervenção militar dos EUA que, como alegou, continua latente.

    "Isso é uma atitude política irracional, o pequeníssimo grupo de pessoas que estão solicitando hoje uma intervenção militar no país não tem nenhum direito [de o fazer]", disse ele.

    Além disso, Daza sublinhou que a pouca assistência às últimas convocatórias a mobilizações realizadas pela oposição é um sinal de que mesmo os apoiadores de Guaidó estão rejeitando seus planos.

    "As últimas manifestações convocadas pelo agente dos EUA [Guaidó] não foram atendidas nem pelos setores mais radicais da oposição, porque praticamente ninguém vai às manifestações, em 30 de abril a população foi testemunha de uma situação delicada e perigosa que esse senhor protagonizou", apontou ele.

    Em 30 de abril, o líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino do país, lançou a chamada Operação Liberdade para retirar Nicolás Maduro do poder. Em um vídeo publicado no Twitter, Guaidó aparece ao lado de militares e do líder oposicionista Leopoldo López, que estava preso desde 2014 e foi libertado pelos rebeldes, na base aérea de La Carlota, em Caracas. Guaidó pediu uma "luta não violenta", disse ter os militares do seu lado e afirmou que "o momento é agora".

    Maduro, por sua vez, afirmou que os principais comandantes militares mantêm a lealdade ao seu governo e pediu a "máxima mobilização popular para assegurar a vitória da paz".

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    Tags:
    intervenção militar, Nicolás Maduro, Venezuela, Juan Guaidó
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