14:02 22 Agosto 2019
Ouvir Rádio
    Un partidario de Nicolás Maduro con la pancarta Manos fuera de Venezuela

    Especialistas respondem: é possível o Brasil intervir militarmente na Venezuela?

    Marco Bello
    Américas
    URL curta
    20111

    "Todas as opções estão na mesa". Essa é uma frase corriqueira dos Estados Unidos quando perguntado sobre a possibilidade de realizar uma intervenção militar na Venezuela. Alguns integrantes do governo Bolsonaro também já se mostraram simpáticos à ideia.

    Rumores recentes dão conta que o Ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, é um dos que cogita a possibilidade do Brasil se aliar aos Estados Unidos em uma eventual intervenção bélica na Venezuela.

    No entanto, o posicionamento do chanceler brasileiro não é compartilhado pela ala militar do governo Bolsonaro. Depois do fracasso da operação de Guaidó, Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), afirmou que o presidente da Assembleia Nacional "se perdeu no caminho".

    Segundo Rafael Araújo, professor de Relações Internacionais da UERJ, a divisão entre um grupo pró-intervenção e outro mais moderado tem causado estranhamentos no governo.

    "Você tem de um lado essa linha que parece mais próxima de Jair Bolsonaro, sua família e o Ernesto Araújo e do outro lado um grupo capitaneado pelo general Augusto Heleno e Hamilton Mourão que, de fato, tem tido em vários momentos dessa crise uma posição mais moderada", disse em entrevista à Sputnik Brasil.

    Porém, por mais que exista essa divisão, Araújo comenta que há algo em sintonia no governo Bolsonaro em relação a Venezuela.

    "Embora essa divisão tenha um traço de ligação: a oposição a Nicolás Maduro. O Brasil hoje está perfilado ao lado daqueles que tem o tom bastante crítico em relação a Venezuela e são claramente opositores a continuidade de Maduro na presidência venezuelana", afirmou.

    O ex-secretário-geral do Itamaraty, Marcos de Azambuja, concorda com o diagnóstico feito por Rafael Araújo.

    "O Brasil é contra qualquer intervenção militar na Venezuela, o Brasil quer preservar a qualidade da sua relação com um grande amigo e vizinho, que é a Venezuela, e o Brasil reconhece que o governo venezuelano se afastou das práticas e das normas que definem plenamente um regime democrático", disse à Sputnik Brasil.

    Apesar de não reconhecer a legitimidade de Maduro, Azambuja acredita que o Brasil deve buscar a via diplomática para a resolução do impasse na situação da Venezuela.

    "O Brasil acredita que a Venezuela tem de ser induzida por via diplomática, por negociação a encontrar uma solução para o impasse político que se perpetua com sofrimento e com dificuldades, uma coisa é isso, outra é rejeitar a ideia de intervenção militar num país vizinho e amigo", completou.

    Tags:
    intervenção militar, Venezuela
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar