10:47 23 Outubro 2019
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    Militares leais a Guaidó defendem posição próxima à base La Carlota, em Caracas.

    Maduro conta com Guarda Nacional e milícias armadas contra possível levante de generais

    © AFP 2019 / Yuri Cortez
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    A tensão está em alta no país com maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo. O autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó, lançou nesta terça-feira (30) o que chama de "Operação liberdade" para tirar Nicolás Maduro do poder.

    Em vídeo publicado no Twitter, Guaidó aparece ao lado de militares e do líder oposicionista Leopoldo López, que estava preso desde 2014 e foi libertado pelos rebeldes, na base aérea militar La Carlota, em Caracas. Guaidó pede uma "luta não violenta", diz ter os militares ao seu lado e afirma que "o momento é agora".

    A movimentação recebeu apoio dos Estados Unidos. O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, afirmou no Twitter que "o governo dos EUA apoia totalmente o povo venezuelano em sua busca de liberdade e democracia. Democracia não pode ser derrotada".

    Já Maduro diz que os principais comandantes militares estão ao seu lado e pediu "máxima mobilização popular para assegurar a vitória da paz."

    A professora de relações internacionais da ESPM Denilde Holzhacker ressalta que apesar da importância dos militares na vida política, há outras forças que devem ser levadas em consideração, como as milícias armadas para defender o governo de Maduro.

    "Temos que lembrar que não há apenas os militares. O governo tem a Guarda Nacional, as milícias armadas para dar apoio ao governo, então a situação é bastante tensa. Obviamente o apoio dos militares e dos importantes generais vai dar uma legitimidade ao Guaidó para estabelecer o domínio da força, mas isso pode não significar que todos esses grupos vão apoiá-lo."

    Segundo Holzhacker, a oposição venezuelana partiu para o "tudo ou nada" e a liberação de Leopoldo López mostra que "setores importantes do meio militar estariam mudando de posição".

    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já afirmou reiteradas vezes que não descarta uma ação militar contra Maduro. Em visita a Washington, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) também seguiu a linha e chegou a dizer que todas as opções estão na mesa.

    A situação em Caracas é tema de reunião em Brasília entre Bolsonaro, o vice Hamilton Mourão e os ministros das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, da Defesa, Fernando Azevedo, e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno.

    Apesar da fala de Bolsonaro, a professora da ESPM acredita que nenhum país da América Latina deverá apoiar ações militares contra a Venezuela.

    O filho do presidente e deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) estava na capital de Roraima, Boa Vista, na segunda-feira (29) e nesta terça, após Guaidó anunciar seus planos, seguiu para a fronteira entre Brasil e Venezuela, em Pacaraima. Eduardo está acompanhado de outros deputados federais da Comissão de Relações Exteriores.

    "Na torcida para que Nicolás Maduro saia do poder seja lá como for. O pior que pode ocorrer é a sua manutenção no poder com apoio do tráfico de drogas, Hezbollah, Pranes, soldados da ditadura cubana e toda sorte de criminosos. Deus proteja os venezuelanos", disse Eduardo Bolsonaro.

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    Tags:
    Juan Guaidó, Nicolás Maduro, Venezuela
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