18:00 19 Maio 2019
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    Funcionários da GEKA em instalação de eliminação de armas químicas em Munster, Alemanha, 30 de outubro de 2013 (imagem referencial)

    Plano macabro: como ditador Pinochet tentou usar armas químicas na América Latina

    © AFP 2019 / Philipp Guelland
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    A preocupação internacional de impedir o uso de substâncias químicas como arma de guerra tem uma longa história e seu marco ocorreu em 29 de abril de 1997, data que ficou oficialmente conhecida como "Dia em Memória das Vítimas da Guerra Química".

    Embora menos divulgado pelo mundo, mas não menos importante, há também fatos que comprovam a tentativa de desenvolvimento de armas químicas na América Latina.

    Houve um tempo em que a ditadura do chileno Augusto Pinochet concebeu um plano macabro para assassinar os seus críticos com gás sarin.

    A Sociedade das Nações, formada após a Primeira Guerra Mundial, assinou em 1925 o Tratado de Genebra sobre a "proibição do uso na guerra de gases asfixiantes, tóxicos ou similares e de meios bacteriológicos" – esse marco ficou conhecido como a primeira ação contra o uso de agentes químicos como armas de guerra. No entanto, foram necessários quase 70 anos para que a Convenção sobre Armas Químicas fosse aprovada pelas Nações Unidas em 1992, mas que só entrou em vigor no dia 29 de abril de 1997.

    Com o objetivo de exterminar humanos, os nazistas foram os pioneiros no desenvolvimento de "agentes nervosos" como sarin, tabun e soman, além de usarem o pesticida Zyklon B para exterminar pessoas em campos de concentração.

    Na década de 80, a utilização de armas químicas foi denunciada no conflito Irã-Iraque e, mais recentemente, na guerra civil na Síria.

    Já a denúncia sobre desenvolvimento de armas químicas na América Latina veio em 2008, quando o Ministério da Saúde do Chile encontrou duas caixas de toxina botulínica em um subsolo que, segundo relatos, poderia ter sido usado para matar cerca de um milhão e meio de pessoas.

    A existência das toxinas não era conhecida até 2013, quando a ex-diretora do Instituto de Saúde Pública do Chile, Ingrid Heitmann, revelou o achado em entrevista à agência DPA, afirmando que as toxinas foram adquiridas do Instituto Butantan de São Paulo e eliminadas em 2008 "em segredo" sem o conhecimento da então presidente chilena Michelle Bachelet (2006-2010).

    Este não foi o primeiro episódio que ligou Pinochet ao uso de armas químicas. Investigações conduzidas pelo juiz chileno Alejandro Madrid estabeleceram que a ditadura de Pinochet havia desenvolvido gás sarin com a intenção de usá-lo para assassinar opositores políticos.

    As operações com gás sarin foram feitas em nome do chamado "Projeto Andrea", encarregado do bioquímico Eugenio Berríos, que era o cientista responsável pelo desenvolvimento da arma química.

    Outros territórios latino-americanos também foram cenários de uso de substâncias químicas, como a ilha panamenha de San José, onde testes com armas químicas americanas foram conduzidos em meados do século XX.

    Embora os testes tenham parado, os EUA mantiveram uma base na ilha e abandonaram meia dúzia de bombas químicas sem detoná-las. Após vários anos de negociações, Washington concordou em limpar a ilha em 2013, mas até hoje não cumpriu a promessa.

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    Tags:
    gás sarin, substâncias tóxicas, armas químicas, América Latina, Augusto Pinochet
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