19:01 15 Setembro 2019
Ouvir Rádio
    Bandeiras chinesa e americana

    China poderia reforçar sua presença na América Latina após abandono da região por EUA?

    © AP Photo / Ted S. Warren
    Américas
    URL curta
    5140
    Nos siga no

    Os EUA suspenderam a assistência financeira a três países latino-americanos: Guatemala, Honduras e El Salvador.

    Além disso, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a fronteira comercial com o México, por onde as mercadorias mexicanas entram nos EUA, pode ser fechada. Com isso, a China poderia se aproveitar da situação para reforçar sua presença na região.

    A China cooperava com os países latino-americanos ainda antes de o presidente norte-americano chegar ao poder. Entretanto, o interesse chinês na região cresceu nos últimos anos, principalmente depois que diversos parceiros diplomáticos deixaram de reconhecer Taiwan, apoiando Pequim, explica o vice-diretor do Instituto de países da Ásia e África da Universidade Estatal de Moscou, Andrei Karneev, à Sputnik Mundo.

    Nas atuais condições, a China pode obter novas oportunidades na América Latina. Além disso, é possível notar a visível inconsistência da política norte-americana, ou seja, os EUA estão presenteando seu principal rival geopolítico com uma região que sempre esteve na esfera de interesses dos EUA, afirmou Karneev.

    Para o diretor do Instituto da América Latina da Universidade de Anhui (China), Fa Hesheng, a China não tem motivos para ocupar o vazio deixado pelos EUA na região, contudo, reconhece que seu espaço está crescendo na América Latina.

    Além disso, Fa Hesheng explica que o "isolamento" demonstrado pelos EUA tem um caráter político e que tanto os democratas quanto os republicanos são contra esse isolamento, inclusive, relativamente à fronteira com o México.

    "Por isso, essa tendência de isolamento pode ser de caráter temporário e, provavelmente, não é parte de uma estratégia a longo prazo", ressalta Fa Hesheng.

    Washington certamente "será contra a presença da Rússia e da China" na região, já que as relações entre os EUA e América Latina são muito estreitas, ou seja, os norte-americanos não reduzirão os investimentos estratégicos nos países latino-americanos.

    "Os EUA não estão prontos para reduzir [o investimento] estratégico, como demonstra o que está ocorrendo na Venezuela. Por que os EUA apoiam Guaidó? Se os EUA tivessem abdicado de continuar a influenciar estrategicamente, não haveria necessidade alguma [de apoiá-lo]", aponta Hesheng.

    Ele também acredita que os investimentos chineses nos países latino-americanos são muito valiosos, inclusive para países grandes como o Brasil e a Argentina, já que o crescimento econômico dos países em desenvolvimento, ao não ter muito poder de compra, é medido pelo nível de investimento.

    "A presença da China na América Latina, sobretudo com a aparição da iniciativa ‘Um Cinturão, Uma Rota' pode aumentar a integração [da China] na América Latina […]", observa Hesheng, concluindo que a presença da China permitirá que a região prospere e evolua.

    Mais:

    Rússia nega interferência na Venezuela: 'EUA acham que América Latina é seu quintal'
    Análise: Brasil poderia se tornar 'vigilante' dos EUA na América Latina
    Análise: EUA travam 'luta internacional' por hegemonia sobre América Latina
    Tags:
    interesses econômicos, economia, estratégia, política, EUA, China, América Latina
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar