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    Presidentes do Senado e da Câmara chilenos recusam almoço com Bolsonaro

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    Os presidentes do Senado e da Câmara do Chile informaram que não participarão de um almoço promovido pelo presidente do país, Sebastián Piñera, ao líder brasileiro Jair Bolsonaro, que está prestes a desembarcar no país sul-americano para uma visita oficial.

    O primeiro a informar que não participaria foi o presidente do Senado do Chile, Jaime Quintana. Segundo ele, não é possível participar de eventos com quem "se manifesta contra minorias sexuais, mulheres e indígenas".

    "Não estarei sábado em La Moneda [palácio presidencial], por convicção política e também porque tenho uma agenda regional já confirmada", declarou Quintana, em entrevista publicada no site do jornal chileno La Tercera.

    Em sua conta no Twitter, o senador chileno explicou mais a fundo os seus motivos para não participar da agenda de Piñera com Bolsonaro – ele confirmou presença nos eventos do Executivo chileno com o presidente da Colômbia, Iván Duque.

    "Em uma visita oficial (não de Estado), o Senado não tem obrigação de participar. O presidente Piñera nos convidou para almoçar em homenagem a Bolsonaro e como Mesa [que comanda o Senado] decidimos não ir. Minha convicção não me permite homenagear aqueles que se manifestam contra minorias sexuais, mulheres e indígenas", escreveu.

    O vice-presidente do Senado, Alfonso de Urresti, também recusou o convite, o que rendeu críticas da bancada governista chilena.

    Outro a se negar a almoçar com Bolsonaro foi o presidente da Câmara dos Deputados do Chile, Iván Flores. Em uma entrevista a uma rádio local, citada pelo jornal La Tercera, o parlamentar alegou que a sua decisão de não participar é pessoal.

    "Quando um chefe de Estado emite declarações que eu creio que beiram ao menosprezo de algumas condições das pessoas, outra pessoa está em condições de emitir sinais políticos [...] no caso do presidente Bolsonaro, cada vez que alguém fala, ou cada vez que alguém faz algo, está emitindo sinais e os sinais, alguns que ele emitiu, não são em nosso parecer os que gostaríamos que um chefe de Estado pudesse emitir", disse Flores.

    O governo brasileiro ainda não se pronunciou sobre a posição dos parlamentares, porém a rejeição em Santiago pode aumentar, sobretudo se Bolsonaro fizer menções à ditadura militar do general Augusto Pinochet (1973-1990).

    Filha do ex-presidente chileno Salvador Allende – deposto por Pinochet em 1973 –, Maria Isabel Allende compõe o atual Senado chileno, assim como Juan Pablo Letelier, este filho de Orlando Letelier, que foi chanceler de Allende e morreu em atentado nos EUA.

    Em uma recente visita ao Paraguai, Bolsonaro elogiou o ditador Alfredo Stroessner, que comandou com mão de ferro o país por 35 anos, envolvendo-se em assassinatos e em uma rede de pedofilia amplamente investigada pelas autoridades paraguaias.

    Ainda em solo chileno, o presidente brasileiro deve participar de uma agenda bilateral com Piñera e de um encontro regional que deve oficializar uma saída em massa de país sul-americanos da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), criada em 2008, em prol de um novo bloco regional intitulado Prosul.

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    Tags:
    almoço, visita oficial, relações bilaterais, diplomacia, Palácio de La Moneda, Prosul, Unasul, Orlando Letelier, Juan Pablo Letelier, Maria Isabel Allende, Salvador Allende, Augusto Pinochet, Alfredo Stroessner, Iván Flores, Jaime Quintana, Iván Duque, Sebastián Piñera, Jair Bolsonaro, América do Sul, Paraguai, Chile, Brasil
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