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    Cerimônia solene de reconhecimento do novo mandato do presidente Nicolás Maduro pelas Forças Armadas venezuelanas, 10 de janeiro de 2019

    Pouco numeroso, mas eficaz: especialista indica pontos fortes do exército da Venezuela

    © AFP 2019/ Federico PARRA
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    Levando em consideração as relações políticas atuais entre a Venezuela e os EUA, esse país latino-americano tem fundamentos suficientes para verificar a prontidão de combate de suas tropas.

    Mais cedo, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro inspecionou o exército na véspera de grandes manobras militares, enquanto os generais do país expressaram sua lealdade ao líder legitimo e à sua pátria. Todas essas ações vêm em resposta às recentes declarações do senador americano Lindsey Graham, segundo as quais Donald Trump considera, entre outros cenários, o uso da força para realizar um golpe de Estado na Venezuela.

    Nessa conexão, o analista militar russo Andrei Kots avalia a eficiência das Forças Armadas da Venezuela e sua capacidade de resistir à agressão.

    Compacto e muito eficiente

    O exército venezuelano é considerado um dos mais poderosos na América do Sul. Conforme o relatório The Military Balance 2018, feito pelo Instituto Internacional dos Estudos Estratégicos (IISS, na sigla em inglês), as Forças Armadas do país contam com 123 mil efetivos, enquanto a milícia popular inclui um contingente de mais 220 mil combatentes.

    Segundo várias estimativas, o orçamento militar da República Bolivariana conta com US$ 2,6 — 3 bilhões (R$ 9,8 — 11,3 bilhões).

    Apesar de em termos de quantidade e financiamento o exército da Venezuela não representar nada de extraordinário, ele possui um nível alto de apetrechamento material, principalmente graças à Rússia.

    Vale destacar que a Venezuela é o maior importador de armamentos russos no hemisfério ocidental. O acordo de cooperação bilateral foi assinado ainda em 2001, e desde então a Rússia entregou ao exército venezuelano uma grande quantidade de armamento.

    De fato, quase todo o material das Tropas Terrestres da Venezuela é de produção russa: 92 tanques T-72B1V, 123 veículos blindados de infantaria BMP-3M com blindagem reforçada e proteção ativa e 114 unidades de blindados de transporte BTR-80A. Ademais, a artilharia autopropulsada é também composta principalmente por peças russas de vários tipos.

    Além disso, o parque de veículos de transporte inclui blindados de produção francesa e chinesa, mas seu número não é tão significativo.

    Quanto à aviação venezuelana, ela também possui dezenas de helicópteros de combate Mi-35M2, 16 unidades Mi-17B5 e três aeronaves pesadas Mi-26.

    Caça multifuncional russo Su-30
    © Sputnik / Vitaliy Ankov
    Caça multifuncional russo Su-30

    No entanto, o trunfo principal da Força Aérea do país é representado por 23 caças multifuncionais Su-30MK2V e 19 caças F-16A americanos, comprados há muitos anos. A aviação de transporte, ao contrário, é composta por aviões de produção internacional. Apesar de seu armamento modesto, a Marinha é suficiente para proteger a zona marítima costeira do país.

    Elemento mais forte

    O sistema de defesa antiaérea é considerado como a parte mais poderosa das Forças Armadas da Venezuela. Ele representa um fator de contenção para aqueles vizinhos que se manifestam a favor de uma invasão militar. Em termos de estrutura, a defesa antiaérea está dividida em cinco brigadas. A defesa de mísseis de longo alcance é composta por S-300VM, que permitem atingir alvos a uma distância de até 250 quilômetros em altitudes até 30 quilômetros. Segundo indica a empresa fabricante, o sistema é eficaz contra aviões furtivos e até é capaz de abater alvos balísticos.

    As tarefas de defesa antiaérea de médio alcance são exercidas por 12 sistemas Buk-M2, importados da Rússia e que já comprovaram sua eficácia na Síria, e 24 sistemas de lançamento de mísseis terra-ar S-125 Pechora-2M. Este possui a capacidade de alcançar alvos aéreos a uma distância de até 32 quilômetros em altitudes até 32 quilômetros. Além disso, possui um complexo de proteção radiotécnica modernizado.

    Sistemas de mísseis Buk M2 e Tor no centro de Moscou
    © Sputnik / Ilia Pitalev
    Sistemas de mísseis Buk M2 e Tor no centro de Moscou

    A última linha da defesa antiaérea venezuelana conta com 13 sistemas Tor-M1 e algumas dezenas de sistemas Igla-S.

    Todas as brigadas funcionam em ligação permanente com o Comando Unido de Defesa Aeroespacial, que faz parte da Força Aérea do país.

    Em geral, em termos de capacidades militares, a Venezuela não representa uma força igual à dos EUA. No entanto, em caso de qualquer agressão, o exército da República Bolivariana da Venezuela conseguirá oferecer uma resistência tenaz. A opinião pública dos países da OTAN é muito vulnerável a perdas entre militares, especialmente no que se refere à elite, ou seja, os pilotos. Portanto, enquanto a Venezuela possuir sistemas para derrubar as aeronaves intrusas que penetrarem em seu território, os membros do bloco militar, bem como outros países, vão pensar bem antes de invadir o espaço aéreo soberano da Venezuela.

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    Tags:
    capacidade militar, aviação militar, blindados, armas russas, ataque, armamentos, Forças Armadas da Venezuela, Donald Trump, Nicolás Maduro, Venezuela, EUA
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