11:51 17 Janeiro 2019
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    O presidente chinês Xi Jinping com o presidente da Venezuela Nicolás Maduro durante a visita do último à China

    Isolamento regional fará Maduro aprofundar relações com Rússia e China, diz professor

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    Maduro é pela 2ª vez presidente da Venezuela (15)
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    A posse do segundo mandato do presidente Nicolás Maduro foi cercada de declarações negativas de países vizinhos. A Sputnik Brasil ouviu Roberto Santana, professor de História e Relações Internacionais da UERJ sobre o assunto. Ele explicou como o olhar para além do Ocidente pode ajudar a Venezuela a contornar a crise e o isolamento regional.

    Para o professor Roberto Santana a atual crise na Venezuela pode ter seu início localizado na primeira vitória eleitoral de Maduro para a presidência, em 2013. Ele ressalta que atualmente as forças políticas da oposição na Venezuela não reconhecem os resultados eleitorais que deram a vitória novamente ao chavismo, já em 2018. Os grupos de oposição a Maduro afirmam que as eleições que garantiram o segundo mandato ao chavista teriam sido fraudadas.

    "Essa postura da direita carece de fundamento, porque a Justiça Eleitoral venezuelana também fez a eleição legislativa de 2015, na qual a oposição saiu amplamente vitoriosa. Então fica uma impressão de que a oposição de direita reconhece quando ela vence e não reconhece quando ela perde", afirmou Santana.

    O pesquisador se lembra também do aspecto econômico da crise que assola a Venezuela. Ele aponta que o país está sob sanções econômicas impostas pelo governo de Donald Trump, dos Estados Unidos. As sanções, segundo explica Santana, têm "sufocado" a economia venezuelana e "prejudicando" o povo do país.

    "O problema econômico atual da Venezuela ele é de fora para dentro. Há um bloqueio econômico sobre a Venezuela — foi imposto pelo presidente Donald Trump desde o ano passado", ressalta o professor. Ele explica que as sanções econômicas dificultam as principais transações da economia do país, excluído do mercado financeiro dos EUA, o principal do mundo. Essa situação se reflete no conflito político interno. Em seu segundo mandato consecutivo, Maduro assume o governo sem apoio da Assembleia Nacional, o Legislativo venezuelano.

    Santana explica, no entanto, que o presidente venezuelano conta com o apoio de outros setores do Estado.

    "Os demais poderes são de maioria chavista, ainda são pró-Maduro. A Venezuela, ao contrário do Brasil, ela não tem três poderes, ela tem cinco. Eles consideram a Justiça Eleitoral como um quarto poder e têm um quinto poder que é o poder Moral, que seria junção do que é aqui a Procuradoria Geral da República, da Defensoria Pública e da Controladoria Geral da União", lembra o professor, explicando que a oposição venezuelana controla apenas um dos poderes dentro do país.

    "Então, o poder Legislativo do país, hoje não tem poder nenhum, não tem poder eficaz nenhum, pelos próprios erros dessa oposição de direita de não reconhecer e muitas vezes não participar dos processos eleitorais colocados no país. Com isso ela perdeu apoio até de setores sociais que votavam nela, principalmente setores médios.

    Após a eleição legislativa de 2015, a Assembleia Nacional venezuelana, de maioria da oposição, passou a confrontar as medidas de Nicolás Maduro, sendo posteriormente penalizada pela Suprema Corte do país, explica o professor. Já em 2017, conforme manifestações violentas eclodiram no país, o governo convocou uma Assembleia Nacional Constituinte para redesenhar a constituição do país. Nesse processo, as eleições presidenciais também foram adiantadas de dezembro para maio de 2018, com o objetivo de apaziguar a crise política.

    Isolamento regional leva o olhar venezuelano para além do Ocidente

    A posse do segundo mandato de Nicolás Maduro sofreu protestos oficiais de diversos países vizinhos, incluindo o Brasil.

    Uma manifestação do Grupo de Lima, grupo criado em 2017 para fomentar o processo democrático na crise venezuelana, se colocou contrária à posse do segundo mandato de Maduro. Fazem parte do grup: Chile, Colômbia, Brasil, Guatemala, Costa Rica, Argentina, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru e Canadá. Destes, apenas o México se recusou a assinar a manifestação. A Organização dos Estados Americanos (OEA), também protestou contra a posse.

    Após a inauguração de Maduro, alguns desses países voltaram a se manifestar contra Maduro. O Paraguai chegou a cortar relações diplomáticas com a Venezuela.

    Para Roberto Santana, essa situação desenha um isolamento diplomático regional à Venezuela, que deverá contar com o apoio de governos da região alinhados ao perfil ideológico do país. Entre eles, Cuba e Nicarágua.

    "[O governo de Maduro] vai apostar, já vem apostando desde o ano passado, com o aprofundamento das relações com China, com Rússia, com Índia, com Turquia, ou seja, voltando a sua economia para a Ásia — que vem se tornando nas últimas décadas o centro da economia mundial — e secundarizando a política com as Américas e com a Europa", explica.

    Santana recorda que essa mudança de perspectiva é uma forma de traçar caminhos alternativos aos bloqueios econômicos, o que também inclui a criação da criptomoeda Petro.

    O professor acredita que não é possível saber quanto tempo essa situação durará, mas aponta que razões econômicas podem diminuir esse cerco. Ele explica que países como o Brasil e Argentina perdem dinheiro ao diminuir as relações com Caracas.

    "Não interessa aos povos latino-americanos que os governos estejam em conflito. Na verdade interessa aos povos latino-americanos a integração da América Latina em todos os sentidos — econômico, social, diplomático, cultural — porque todos os países têm a ganhar com isso", conclui.

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    Tags:
    crise na venezuela, Grupo de Lima, UERJ, Organização dos Estados Americanos (OEA), Roberto Santana, Donald Trump, Nicolás Maduro, Estados Unidos, Guatemala, Honduras, Paraguai, Colômbia, Ásia, Nicarágua, Turquia, Caracas, Venezuela, México, Panamá, Peru, Canadá, Cuba, Índia, Costa Rica, China, Brasil
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