16:31 18 Julho 2019
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    A fachada da Bolsa de Valores de Nova York.

    Tweet enigmático de secretário do Tesouro dos EUA desperta temor no mercado acionário

    © AP Photo / Patrick Sison
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    Na pior queda da véspera de Natal na história do mercado acionário dos EUA, comentários estranhos e confusos do secretário do Tesouro dos EUA, Steve Mnuchin despertaram temor em economistas.

    A mensagem de Mnuchin foi interpretada como uma tentativa de amenizar os temores de uma quebra no mercado de ações. O secretário, cujo departamento é diretamente afetado pela paralisação que atinge o orçamento dos EUA desde o fim de semana, disse ter mantido contato com seis grandes empresas financeiras dos EUA, incluindo a JP Morgan Chase, o Bank of America, o Goldman Sachs, o Morgan Stanley, o Wells Fargo e o Citigroup. 

    De acordo com o tweet do Departamento do Tesouro, os seis executivos do banco asseguraram-lhe que "eles têm ampla liquidez disponível para emprestar ao consumidor, ao mercados executivo e a todas as outras operações de mercado".

    "[Os seis bancos] não experimentaram nenhum problema de compensação ou margem e […] os mercados continuam a funcionar adequadamente", acrescentou Mnuchin.

    Como observado por especialistas, no entanto, ninguém havia expressado qualquer dúvida sobre a liquidez dos bancos. Os comentários de Mnuchin acabaram portanto tendo resultado oposto: uma onda de dumping de ações (a venda de ativos por valores inferiores aos reais), com o mercado projetando conclusões precipitadas com base no tweet enigmático.

    "Os mercados já estão nervosos o suficiente. É como mandar uma mensagem dizendo que nossos escudos espaciais podem interceptar asteróides que chegam. Eu não sabia que havia algum vindo em nossa direção", observou o economista-chefe do ex-vice-presidente americano Joe Biden, Jared Bernstein, em entrevista ao jornal The Washington Post.

    Os executivos citados pelo secretário refutaram vocalmente os comentários inflamados de Mnuchin, de acordo com a ABC News.

    "Mnuchin levantou um medo que realmente não é uma questão atual", apontou Timothy Duy — autor do influente blog do Fed Watch e professor de Economia da Universidade do Oregon, acrescentando: "Ao fazê-lo, [ele] cria a percepção de que sabe de um problema que ninguém mais sabe (…). Esse tipo de coisa pode precipitar uma crise financeira porque, temendo o desconhecido, os agentes do mercado deixam de comprar qualquer coisa e as instituições financeiras param de emprestar uns aos outros".

    Tags:
    ações, mercado de ações, Universidade do Oregon, The Washington Post, Departamento do Tesouro dos EUA, JP Morgan Chase, Bank of America, Wells Fargo, Goldman Sachs, Citigroup, Morgan Stanley, Timothy Duy, Jared Bernstein, Joe Biden, Steven Mnuchin, Estados Unidos
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