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    Cerimônia de hasteamento da bandeira dos Estados Unidos em Havana, nesta sexta-feira, 14 de agosto de 2015

    Misteriosos "ataques sônicos" continuam provocando tensões entre EUA e Cuba

    © REUTERS / Pablo Martinez Monsivais
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    Washington evacuou todo o pessoal não essencial de sua embaixada em Havana ainda em 2017, depois que dezenas de funcionários apresentaram diversos sintomas - desde dores de cabeça e náusea até amnésia de curto prazo - depois de terem supostamente ouvido ruídos de alta frequência.

    O escândalo em torno de supostos "ataques sônicos" contra funcionários da embaixada dos EUA em Cuba continua afetando não apenas as relações bilaterais entre os países, mas também as vidas de cidadãos comuns, informou o The Guardian.

    De acordo com Claudia Laguna, proprietária de um empreendimento que oferece aluguel em Havana, entrevistada pelo jornal, o número de cidadãos americanos que visitam Cuba caiu drasticamente após o escândalo, mesmo durante a alta temporada. Laguna disse que agora luta para manter o negócio à tona. Segundo o The Guardian, o número de turistas americanos na ilha diminuiu pelo menos 33%.

    Se isso não bastasse, os cubanos também estão tendo dificuldades em receber visto dos EUA e, portanto, têm oportunidades reduzidas de se reunir com seus parentes que moram nos Estados Unidos. Depois que a equipe da embaixada americana foi evacuada, a aquisição de vistos dos EUA agora só é possível na Guiana. Como o The Guardian aponta, a viagem à Guiana é algo que a maioria dos cubanos não pode pagar.

    Segundo o ex-diplomata cubano Carlos Alzugaray, entrevistado pela revista, os dois únicos grupos beneficiados pelo escândalo foram os políticos linha dura dos dois países.

    "Isso é um presente para eles", disse Alzugaray.

    Ao mesmo tempo, vários funcionários do Ministério das Relações Exteriores cubanos, entrevistados pelo The Guardian, negaram as alegações de que Havana estava por trás do incidente. Um deles chamou o escândalo de "deliberada manipulação política".

    Washington acusou Cuba de realizar "ataques" contra seus funcionários da embaixada com uma arma desconhecida. Entre as teorias apresentadas pelos americanos, poderia se tratar tanto de uma arma sônica, quanto de um ataque viral. Ao mesmo tempo, os EUA não apresentaram provas de que Havana estaria por trás do incidente e até agora a razão exata para os sintomas dos funcionários da embaixada permanece desconhecida.

    Havana negou as acusações de Washington e classificou-as de "ficção científica". Os investigadores de Cuba também tentaram determinar a origem dos "ataques sonoros", que afetaram não apenas os EUA, mas também a Embaixada do Canadá, até agora sem qualquer sucesso.

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