20:38 10 Dezembro 2018
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    Be-200, avião anfíbio russo

    Orgulho ou vidas humanas: por que EUA não compram aviões russos para lidar com incêndios?

    CC BY 2.0 / Pavel Vanka
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    Todos os anos, os EUA sofrem múltiplos incêndios florestais, mas os aviões usados para extingui-los deixam muito a desejar. De acordo com Stephen Bryen, repórter do Asia Times, a aeronave russa Altair Be-200 é a melhor para lidar com esses desastres. A sua compra ou aluguer seria economicamente benéfica para os EUA e não iria contra as sanções.

    Os Estados Unidos nunca construíram aviões para extinguir incêndios, apesar de estes desastres afetarem grandes áreas do país, escreve o jornal.

    Atualmente, os incêndios florestais estão devastando várias localidades da Califórnia. Em 2017, houve 9.827 incêndios no Texas, 9.560 na Califórnia, 5.125 na Carolina do Norte e 3.929 na Geórgia. Mas isso é apenas parte de um quadro maior: muitos outros estados também sofrem frequentes incêndios.

    Enquanto isso, os países líderes em combate a incêndios com a ajuda de aviões são o Canadá, a Rússia e o Japão, escreve especialista.

    Além de reativos refratários especiais, os incêndios são geralmente extinguidos com água. As aeronaves comuns devem ser carregadas com produtos químicos ou água após cada descarga, o que faz perder muito tempo. Uma opção alternativa são as aeronaves que podem coletar água de reservatórios próximos — lagos, baías, grandes rios — e voltar rapidamente à área afetada. Esta opção economiza muito tempo, valioso quando se trata de um incêndio.

    O Canadá produz aviões CL-415 capazes de transportar até 6.100 litros de água ou produtos químicos. Essas aeronaves foram criadas especialmente para extinguir incêndios e já provaram sua eficiência em todo o mundo.

    A aeronave japonesa multifuncional US-2 pode coletar água de reservatórios. Mas, ao mesmo tempo, esses veículos aéreos cumprem outras missões, incluindo busca, resgate e reconhecimento.

    Ao mesmo tempo, a China copiou o US-2 e criou sua aeronave AG-600, indica o jornalista. Mas a China tem seus próprios planos para esses aviões, então não está claro se eles serão usados para extinguir incêndios, acrescentou.

    Além disso, os aviões japoneses são significativamente mais caros: US$ 113 milhões (R$ 422 milhões) contra US$ 26 milhões (R$ 97 milhões) do canadense CL-415 e cerca de US$ 20 milhões (R$ 74,7 milhões) do russo Be-200, segundo o autor.

    O Be-200 Altair russo é uma aeronave multifuncional anfíbia construída especificamente para apagar incêndios, realizar missões de busca e salvamento e transportar passageiros e cargas. É capaz de transportar 12 toneladas de água em oito compartimentos separados. Além disso, seis compartimentos são destinados a carregar produtos químicos.

    As aeronaves russas são usadas na Europa e na Ásia, inclusive em tais países como a Itália, Portugal, Grécia, Azerbaijão, Israel e Indonésia.

    O russo Be-200 voa à velocidade de 700 km/h, em comparação com a velocidade máxima do US-2 japonês de 580 km/h e de 359 km/h do canadense CL-415. Uma maior velocidade permite economizar tempo, o que é muito importante em situações de emergência.

    No entanto, apesar de todas essas vantagens, os Estados Unidos não aceitam o Be-200, lamenta o jornalista. Embora tenha um certificado de aprovação europeu, é usado apenas no aeroporto de Santa Maria, na Califórnia.

    As autoridades dos EUA geralmente recorrem a 1.000 aeronaves, arrendadas ou próprias, em cada época de incêndios, gastando mais de US$ 250 milhões (933,7 milhões) por ano.

    A maioria dos aviões alugados pelo governo foi originalmente projetada para transportar passageiros. Os aviões transformados são caros de manter e geralmente seu estado deixa muito a desejar. Como resultado, ocorrem atrasos, falhas e acidentes.

    Não obstante, os Estados Unidos poderiam alugar aeronaves russas. Primeiro, de acordo com o autor do artigo, elas mostraram sua eficiência e a Rússia está disposta a alugá-las. Ademais, esse contrato não contradiria as atuais sanções dos EUA contra a Rússia.

    Segundo, existem razões práticas, porque salvar vidas e bens é o objetivo de qualquer combate a incêndios. E, segundo, o avião russo Be-200 é uma das melhores opções em termos de preço e qualidade, portanto não afetaria muito o orçamento dos EUA.

    Stephen Bryen acredita que o presidente estadunidense, Donald Trump deveria discutir esse assunto com seu homólogo russo Vladimir Putin.

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    Tags:
    sanções econômicas, avião russo, desastre, incêndios florestais, contrato, Be-200, Califórnia, EUA, Rússia
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