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    O destróier de mísseis guiados norte-americano Nitze perto da entrada do porto de Nova York, em 24 de maio de 2006

    Por que Pentágono está reconstruindo frota da época da Guerra Fria?

    © REUTERS / Peter Foley/File Photo
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    As ações dos EUA para reformar sua segunda frota americana criarão um potencial cenário de conflito com a Rússia, mas especialistas dizem que Moscou não está muito preocupada com a capacidade militar do Pentágono no Atlântico e no Ártico.

    Enquanto as autoridades dos EUA declararam que não estavam "à procura de uma briga" para relançar uma frota que tinha mais de 100 navios quando a URSS entrou em colapso, mas estavam apenas construindo um dissuasor para afastar as potências estrangeiras "renascentes". Analistas russos opinaram sobre o aumento de tensões em entrevista ao RT.

    "Isso é um retorno à Guerra Fria e sua rivalidade marítima. Não há nada de bom que possa vir disso, e podemos esperar que os EUA comecem a agir de forma mais agressiva, particularmente em torno do Atlântico Norte", disse Igor Korotchenko, editor-chefe da revista National Defense.

    "A temperatura geral das relações entre os dois países aumentará e a área se tornará um ponto crítica", disse o analista, observando que a Frota do Norte da Rússia é a mais poderosa.

    Para o especialista militar Aleksey Leonkov, da revista Homeland Arsenal, essa é uma medida reativa de Washington, que, sob o governo de Barack Obama, subestimou a determinação da Rússia de transformar o Ártico em seu quintal, como uma passagem, uma fonte de hidrocarbonetos e uma base estratégica.

    "A OTAN quase não tem forças no Atlântico Norte, porque não esperava que a Rússia desenvolvesse sua Frota do Ártico e construísse defesas em terra. Juntamente com a crescente importância econômica potencial do Ártico, isso causou alarme genuíno no Pentágono, e esta é a resposta", disse ele.

    Para Viktor Litovkin, observador militar de mídia russa, Moscou e Washington estão recriando um tabuleiro de xadrez global e as localizações específicas das peças não são tão importantes quanto à própria rivalidade.

    "Os EUA estão ressentidos com a presença da Rússia na Síria, onde país mantém base naval de Tartus, então essa é uma resposta indireta a isso", disse ele.

    "EUA são apenas um país, não podem ditar regras"

    Embora a Rússia não tenha negado que seus submarinos voltaram a um nível soviético de intensidade de patrulha no Atlântico Norte, os analistas discordam da postura defensiva apresentada pelo vice-almirante Woody Lewis, quando ele lançou a frota americana na semana passada.

    "Os próprios Estados Unidos quebraram a ordem mundial que se formou após a 2ª Guerra Mundial, onde as esferas de influência foram designadas regionalmente […] havia um equilíbrio no mundo", ressaltou Leonkov.

    Porta-aviões norte-americano Harry S. Truman no golfo de Omã (foto de arquivo)
    © AP Photo / Mass Communication Specialist 3rd Class J. M. Tolbert
    "Desde a queda da União Soviética, os EUA redesenharam o mapa à vontade, apoiando seu poder com suas bases, espalhando-se por todo o mundo. Por isso, autoridades americanas falando de outras pessoas infringindo as regras é hipocrisia."

    "A lei internacional é apenas papel higiênico para os EUA. Quando eles precisam, eles vão usá-lo [para justificar suas ações], mas quando não, eles o descartam e esquecem", diz Litovkin.

    O analista acredita que a estratégia norte-americana de Donald Trump, anunciada em janeiro, que busca dominar uma nova "grande competição de poder", em oposição ao estabelecimento de metas regionais limitadas, está fadada ao fracasso.

    "Os EUA são apenas um país. Não é a ONU. Não podem ditar [regras], e não apenas a Rússia, mas também a China não aceitará ser dominada por suas ambições", afirmou.

    "Enquanto houver paridade estratégica, a Rússia está segura"

    Nenhum dos três especialistas acredita que confrontos vivos ou mesmo demonstrações de força são iminentes, até porque Moscou e Washington não desejam outro desafio de recursos.

    "A Rússia não tem ambições expansivas e não tem planos de atacar, apenas procura defender sua própria soberania, e qualquer uma de suas atividades deve ser vista nesse contexto", diz Litovkin.

    Enquanto isso, Korotchenko acredita que a tecnologia militar russa a torna competitiva em qualquer corrida armamentista renovada.

    "Enquanto a Rússia continuar sendo uma potência nuclear e mantiver a paridade estratégica, nada poderá inclinar a balança", disse o especialista.    

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    Tags:
    rivalidade, defesa marítima, capacidade militar, frota, reconstrução, navios, base naval, Pentágono, Aleksey Leonkov, Igor Korotchenko, Atlântico Norte, EUA, Rússia
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