08:09 24 Setembro 2018
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    Manifestação pela paz em Bogotá, Colômbia

    Colômbia vota em referendo contra a corrupção

    © REUTERS / Felipe Caicedo
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    Os colombianos votam neste domingo (26) em um referendo inédito que visa coibir a corrupção em um país onde os criminosos de colarinho branco estão substituindo rapidamente gangues de drogas e grupos paramilitares na penetração dos altos escalões do poder.

    O referendo busca reduzir os salários dos membros do Congresso e trazer leis que tornem os gastos públicos mais eficientes e transparentes.

    Mas enquanto a maioria dos colombianos concorda que a corrupção é uma praga que precisa ser exterminada, alguns acreditam que a votação não é a melhor opção.

    O referendo foi boicotado pelos juízes colombianos por temerem que ele leve a cortes salariais no judiciário, já que uma lei estabelece que os salários dos principais magistrados devem ser os mesmos dos membros do Congresso.

    "Já temos muitas leis anticorrupção", disse Hermens Lara, um juiz municipal de Bogotá que é diretor do Conselho de Juízes e Magistrados da Colômbia. "O problema é implementá-las."

    O recém-eleito presidente Ivan Duque e a maioria dos principais partidos políticos da Colômbia dizem que apoiam a medida, mas pouco fizeram para promovê-la ou atrair eleitores para as urnas.

    A população será questionada sobre sete questões que incluem a possibilidade de aplicar penalidades mais duras aos funcionários corruptos que agora costumam cumprir sentenças em casas multimilionárias; a definição de mandatos menores para os legisladores e cortes de 40% nos salários dos políticos.

    A lei colombiana atualmente fixa os salários dos senadores em cerca de US$ 124 mil por ano, mais do que o que os parlamentares recebem em países como Holanda, Suécia e França.

    O referendo daria ao Congresso da Colômbia um ano para aprovar as propostas ou forçar Duque a fazê-lo por decreto.

    Obter o número mínimo de votos para tornar os resultados vinculativos, no entanto, é uma tarefa difícil.

    As medidas precisam de aprovação de 12 milhões de eleitores — ou aproximadamente um terço dos 36 milhões de eleitores registrados. A participação na recente eleição presidencial do país quase não chegou a 50%.

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