12:45 18 Dezembro 2018
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    O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, gesticula durante o evento de criação da Força Espacial dos EUA.

    EUA querem criar força militar espacial até 2020

    © AP Photo / Evan Vucci
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    Apontando o que acredita ser uma ameaça crescente de Rússia e China, a Casa Branca anunciou nesta quinta-feira (9) planos ambiciosos de criar a Força Espacial dos EUA como uma 6ª divisão militar ainda em 2020.

    A proposta dá continuidade a uma conhecida fascinação dos EUA com o espaço, apontando para um foco militar. A iniciativa, porém, enfrenta obstáculos. Para se concretizar, necessita de aprovação do Congresso e já enfrenta ceticismo de líderes militares e experts que questionam se seria algo sábio lançar uma nova marca militar com alto investimento e burocraia

    O vice-presidente Mike Pence anunciou a nova força durante um discurso no Pentágono, enfatizando a proposta que o presidente Donald Trump tem defendido nos últimos meses como uma forma de garantir o domínio dos EUA no espaço. Pence descreveu o espaço como uma área que já foi pacífica e sem donos, mas que se tornou agora cheia e disputada.

    "Agora chegou o momento de escrever o novo grande capítulo da história de nossas forças armadas, de preparar o novo cmapo de batalha onde os melhores e mais bravos da América serão chamados a deter e derrotar a nova geração de aneaças ao nosso povo, à nossa nação", disse Pence.

    Donald Trump comentou o discurso de Mike Pence em um tweet enaltecendo a iniciativa de uma força espacial:

     

    ​Para o vice-presidente dos EUA, a iniciativa seria uma resposta dos EUA a uma potencial agressão inimiga e não se trataria de uma ofensiva militar norte-americana.

    Citando a Rússia e a China, ele disse que os adversários dos Estados Unidos têm se esforçado por anos na construção de armas que possam desativar mecanismos de comunicação e navegação dos EUA através de ataques eletrônicos partindo do solo.

    "Como as ações deles deixam claro, nossos adversários já transformaram o espaço em um domínio de guerra, e os Estados Unidos não se retirar diante deste desafio", disse Pence.

    Em junho, o presidente instruiu o Pentágono a criar uma Força espacial, o que é considerado uma iniciativa complicada e cara que levaria anos para ter a aprovação do Congresso e tornar-se operacional.

    Nesta quinta-feira (9), Pence afirmou que a atual administração irá trabalhar ao lado do Congresso neste plano, e que irá formular um orçamento até o ano que vem.

    A última vez que os Estados Unidos criaram uma nova área de serviço militar foi em 1947, quando a Força Aérea foi criada após a Segunda Guerra Mundial. As outras quatro áreas são a Marinha, o Exército, a Guarda Costeira e os Fuzileiros Navais.

    Iniciativa pode levar 10 anos para ser concluída

    O secretário de Defesa dos EUA, James Mattis, apoiou a iniciativa, porém anteriormente chegou a criticar a criação de uma nova área de serviço militar devido aos altos custos da medida.

    Ainda não há um orçamento que defina o quanto custaria essa iniciativa. A única declaração a esse respeito é a do vice-secretário de Defesa, Patrick Shanahan, que disse a repórteres no Pentágono que a expectativa de que o custo seja de bilhões de dólares, e que o número será conhecido até o final deste ano.

    Segundo Deborah James, que serviu na Força Aérea dos EUA durante os três últimos anos da administração de Barack Obama, afirmou que a iniciativa levaria entre cinco e 10 anos para ser criada.

    O papel do setor militar no espaço está sob escrutínio devido à dependência dos EUA relacionada a satélites em órbita que seriam difíceis de serem protegidos. Esses satélites são de importância vital para serviços de navegação, comunicação e inteligência, tanto dos setores militares quanto econômicos.

    As agências de inteligência dos EUA estão preocupadas com o desenvolvimento de armas "destrutivas e não destrutivas" anti-satélites, que estariam sob desenvolvimento por países como Rússia e China para uso em conflitos futuros. As agências também estão preocupadas com ataques cibernéticos que poderiam chegar aos satélites e impossibilitar tropas no solo de terem acesso a informações importantes.

    Em um primeiro momento a proposta do Pentágono inclui a criação de um Comando Espacial, de uma Agência de Desenvolvimento Espacial e uma Força de Operações Espaciais, Em uma segunda fase do projeto, esses setores seriam unidos para a criação da nova área de serviço militar.

    A maior parte do poder espacial dos EUA está hoje sob o comando da Força Aérea, cujo quartel general funciona na Base Aérea de Peterson, no Colorado. O comando tem cerca de 38 mil pessoas e opera 185 sistemas de satélites militares.

    Sob o novo projeto, os elementos espaciais, hoje espalhados pelo departamento, seriam colocados sob um único comando.

    Tags:
    guerra no espaço, guerra cibernética, fuzileiros navais, militarização, Exército, espaço, Marinha, Departamento de Defesa dos EUA, Patrick Shanahan, Deborah James, James Mattis, Mike Pence, Donald Trump, Barack Obama, Estados Unidos, EUA
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