05:59 20 Julho 2018
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    Um afegão prepara-se para incendiar ópio e narcóticos durante uma cerimônia de queima de drogas na periferia de Cabul, Afeganistão (foto de arquivo)

    EUA decidiram não adotar plano que poderia cortar de vez produção de heroína pelo Talibã

    © AP Photo / Massoud Hossaini
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    Em 2013, autoridades dos EUA apresentaram ao ex-presidente Barack Obama um plano detalhado para combater o narcotráfico no Afeganistão, mas a então vice-chefe de missão do governo em Cabul, Tina Kaidanow, ordenou que não se adotasse a estratégia citando preocupações políticas.

    De acordo com uma investigação do portal Politico divulgada no domingo, o plano, apelidado de Operação Reciprocidade, estipulou o uso de tribunais norte-americanos para processar comandantes do Talibã e seus traficantes aliados no Afeganistão. O grupo e aliados são responsáveis por mais de 90% da heroína do mundo.

    O plano, proposto pela Agência de Combate às Drogas (DEA) e assessores jurídicos do Departamento de Justiça visava deter a disseminação de drogas em todo o mundo e cortar essa fonte de financiamento para os talibãs.

    Kaidanow justificou a decisão justificando preocupações com "a estratégia mais ampla dos EUA no Afeganistão".

    "Essa foi a ferramenta mais eficaz e sustentável que tivemos para interromper e desmantelar as organizações afegãs de tráfico de drogas e separá-las dos talibãs. Mas ela está adormecida, enterrada em uma obscura sala de arquivos, quase esquecida", disse Michael Marsac, o principal autor do plano e então diretor regional da DEA para o Sudoeste da Ásia.

    Os autores da Operação Reciprocidade também disseram acreditar que a verdadeira razão pela qual o plano foi arquivado era a preocupação em minar os esforços do governo Obama de envolver o Talibã nas negociações de paz. Os críticos da decisão esperam que o governo Donald Trump reconsidere e reative a Operação Reciprocidade, acrescentou o veículo.

    O Afeganistão sofre há décadas de uma situação política, social e de segurança instável devido à atividade de vários grupos terroristas e radicais, incluindo o Talibã. Em 2001, os Estados Unidos invadiram o país para retirar o grupo do controle governamental afegão.

    Tags:
    Operação Reciprocidade, Agência de Combate às Drogas (DEA), Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Politico, Michael Marsac, Tina Kaidanow, Donald Trump, Barack Obama, Sudoeste da Ásia, Cabul, Afeganistão
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