03:43 16 Outubro 2018
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    Candidatos à presidência dos EUA, Hillary Clinton e Donald Trump, durante um debate eleitoral

    Republicanos e Democratas usam relatórios do FBI e do Departamento de Justiça para ataques

    © REUTERS / Rick Wilking
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    Autoridades norte-americanas de ambos os lados do espectro político usam a investigação do conselheiro especial, Robert Mueller e o relatório do inspetor-geral do Departamento de Justiça, Michael Horowitz para iniciar uma batalha pelo poder. No entanto, a luta política pode se tornar um prejuízo para a unidade nacional do país.

    Enquanto o conselheiro especial Robert Mueller prossegue com sua investigação sobre o suposto "conluio" entre a campanha de Donald Trump e a Rússia durante a corrida eleitoral de 2016, o inspetor-geral do Departamento de Justiça, Michael Horowitz anunciou os resultados de sua investigação sobre o caso do FBI sobre o caso de Hillary Clinton.

    Embora o relatório de Horowitz tenha declarado que não há provas de que as ações do então chefe do FBI, James Comey, tenham sido influenciadas por tendências políticas, ele expôs práticas contrárias e tendências anti-Trump demonstradas por alguns dos funcionários da agência e lançou uma sombra sobre a campanha eleitoral do Partido Democrata.

    Além disso, o relatório revelou que o ex-chefe do FBI tinha sido "insubordinado" quando anunciou que a então candidata presidencial do Partido Democrata, Hillary Clinton, não seria acusada de mau gerenciamento de informações confidenciais ao não informar a ex-Procuradora-Geral Loretta Lynch de sua decisão.

    Para o constrangimento de Comey, descobriu-se que ele próprio usara um e-mail particular durante a condução dos afazeres diários no FBI, o que contradizia as regras da agência.


    No entanto, defensores de Trump aparentemente querem puxar o tapete da equipe de Mueller e minar a credibilidade do inquérito Trump-Rússia, observou Robert Costa, do The Washington Post. Segundo o jornalista, os republicanos acreditam que as descobertas "irão ferir ainda mais a credibilidade de Mueller com o público e fortalecer o presidente".

    Até o momento, não há provas concretas de coordenação da campanha Trump com Moscou. O Comitê de Inteligência da Casa dos EUA divulgou um relatório de 253 páginas afirmando que "não encontraram nenhuma evidência de conluio, conspiração ou coordenação entre a campanha de Trump e os russos".

    "Como tenho dito o tempo todo, é tudo uma grande fraude dos democratas baseada em pagamentos e mentiras. Nunca deveria ter sido escolhido um Conselho Especial [para investigar o caso]. Caça às bruxas!" Trump twittou em 28 de abril.

    Por outro lado, os observadores não excluem que o relatório de Horowitz possa levar a uma nova investigação sobre o caso de e-mail da ex-candidata democrata à presidência e ex-secretária de Estado Hillary Clinton.

    Enquanto Democratas aparentemente lutam para encontrar um líder que possa unificar o Partido, nem tudo é cor de rosa para os Republicanos. De acordo com Jennifer Rubin, do Washington Post, alguns senadores republicanos estão frustrados com as políticas de Trump, chamando a liderança do presidente de uma espécie de "culto". Juntamente com os chamados "Never Trumpers" (Trumpistas Jamais, em tradução livre), eles formam uma oposição ao presidente dentro da própria sigla.

    A luta política em curso nos EUA pode dividir ainda mais a sociedade americana antes das eleições. Quase um ano atrás, uma pesquisa nacional da Universidade Quinnipiac indicou que 62% dos eleitores acreditavam que o presidente dos EUA estava dividindo o país, enquanto apenas 31% disseram que ele iria unir o país. A dura guerra entre Republicanos e Democratas provavelmente aumentará a brecha.

    Tags:
    Never Trumpers, The Washington Post, Universidade Quinnipiac, Departamento de Justiça, Partido Democrata, FBI, Partido Republicano, Jennifer Rubin, Robert Mueller, Michael Horowitz, Donald Trump, Loretta Lynch, Hillary Clinton, Estados Unidos
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