20:42 20 Abril 2018
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    Bombardeiro B1 da Força Aérea dos EUA

    Mundo se aproxima de 'Guerra nas Estrelas' e EUA estão despreparados, advertem analistas

    © AFP 2018 / ARIS MESSINIS
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    O mundo se aproxima "de um ponto em que 'Star Wars' não será apenas um filme", e o Pentágono admite não estar preparado para guerra espacial, segundo afirmam vários especialistas e políticos norte-americanos à revista Politico.

    O artigo afirma que a Rússia e a China estão "muito adiante" dos EUA no desenvolvimento de meios capazes de destruir ou desativar satélites dos quais depende o Exército dos EUA em tudo: desde realizar inteligência, até guiar bombas de precisão, mísseis e drones.

    Enquanto isso, o Pentágono está tentando recuperar o atraso após anos de investimentos insuficientes, injetando "bilhões de dólares" para reforçar sua defesa contra armas antissatélite, treinar tropas e aperfeiçoar retaliação com nova forma de combate.

    "Estamos cada vez mais dependentes do espaço, e nossos adversários o sabem"

    "Estamos nos aproximando de um ponto em que 'Star Wars' [Guerra nas Estrelas] não será apenas um filme", adverte Steve Isakowitz, diretor da Aerospace Corporation — corporação financiada pelo governo que serve como principal assessora do exército no espaço. Nestas condições, os EUA já não podem se dar o luxo de tomar por garantido seu domínio, alerta o especialista.

    Para Isakowitz, "esta supremacia no espaço" permitiu a Washington "ter a maior capacidade de combate [de guerra] do mundo".

    No entanto, "cada dia mais, literalmente, estamos mais dependentes dele [espaço]. E nossos adversários sabem disso", acrescentou o analista à Politico, citado pelo RT.

    Não é por acaso que o presidente Donald Trump sugeriu recentemente criação de uma "força espacial": um ramo militar separado responsável por garantir a supremacia dos EUA no espaço (o papel que agora desempenha principalmente a Força Aérea do país). Além disso, a nova Estratégia de Segurança Nacional de Trump indicou pela primeira vez o espaço como "interesse vital", ordenando que as Forças Armadas considerem o espaço como "domínio prioritário", lembra a Politico.

    "Não podemos permitir que os adversários tirem nossos olhos e ouvidos"

    Porém, alguns pensam que não é suficiente. O congressista Mike Rogers, presidente do Subcomitê de Forças Estratégicas das Forças Armadas, prevê que uma guerra no espaço "vai acontecer", a questão é apenas quando: daqui a dois, a cinco ou a seis anos.

    Neste sentido, o político expressa preocupação se a Força Aérea dos EUA está prestando atenção suficiente ao espaço.

    "A gente deve recordar que, quando se trata de combater em uma guerra, nossos olhos e ouvidos estão no espaço. Não podemos permitir que os adversários tirem nossos olhos e ouvidos", declarou o congressista.

    Outros especialistas apelam para que Trump pense mais cuidadosamente em sua política espacial militar. Assim, Joan Johnson-Freese, professora de segurança nacional no Naval War College, duvida que o espaço possa ser tratado como qualquer outra zona de combate.

    "Não se pode controlar todo o espaço sem parar", ressalta, acrescentando que "simplesmente a física do espaço é diferente das demais".

    "Um conflito armado no espaço seria catastrófico para todos"

    Por outro lado, Cassandra Steer, professora da Universidade da Pensilvânia, avisa que "um conflito armado no espaço seria catastrófico para todos os participantes", incluindo os "Estados neutros, participantes comerciais e a sociedade civil internacional".

    Na opinião de Steer, o maior desafio será desenvolver uma defesa espacial que não se transforme em uma ofensiva.

    "Como protegeremos nossos ativos espaciais sem criar condições exatas para uma corrida armamentista que leve a uma guerra no espaço?", pergunta-se a analista e avisa: "Tentar dominar de maneira como os EUA dominam em outras áreas pode ser uma ideia realmente má."

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    Tags:
    concorrência, espaço, guerra, Força Aérea dos EUA, Rússia, EUA
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