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    Veículo de segurança transposta contêineres de agentes vesicantes e mostarda de enxofre no Depósito Químico em Tooele, no estado de Utah, EUA, 30 abril de 2001

    Quando EUA vão se despedir das armas químicas herdadas na Guerra Fria?

    © AP Photo / DOUGLAS C. PIZAC
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    O problema da destruição de armas químicas tem chamado muita atenção nos últimos anos em decorrência das acusações de uso pelas autoridades da Síria durante a guerra civil, embora os estoques oficiais sírios tenham sido liquidados ainda em 2013.

    Além disso, o assunto se tornou relevante novamente devido às acusações em relação à Rússia de uso do agente nervoso para envenenar o ex-agente russo Sergei Skripal e sua filha na Grã-Bretanha. Apesar de os especialistas internacionais terem comprovado a destruição de todos os estoques das armas químicas russas em 2017 e sem ter provas do envolvimento da Rússia nesse incidente, a Grã-Bretanha, os EUA e outros países ocidentais têm questionado se a Rússia realmente interrompeu o programa de agentes químicos.

    Enquanto isso, os EUA armazenam oficialmente toneladas de substâncias parecidas, inclusive agentes nervosos. Este país é praticamente o único membro da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) que ainda não destruiu seus estoques.

    Vale destacar que o então presidente dos EUA, George Bush, em 1991, declarou intenção de destruir os estoques de armas químicas. Depois de dois anos, o país se tornou um dos Estados-membros da OPAQ, que prevê a destruição de todas as armas químicas, sistemas de dispersão e de produtoras. O prazo para a liquidação final foi determinado em abril de 2012. 

    Os trabalhos correspondentes começaram nos EUA depois da retificação de 1997 do Congresso. Na época, os armazéns norte-americanos guardavam agentes neurotóxicos como VX, BZ, gás mostarda (mostarda de enxofre), sarin e vários componentes e precursores de armas binárias.

    Ao destruir 45% de seu armazenamento, os EUA conseguiram "completar" todas as etapas previstas no documento até 2014. Ao mesmo tempo, o país ajudou financeiramente outros países a liquidar armas químicas, inclusive a Rússia.

    No entanto, os EUA não fizeram seu "dever de casa" nem no primeiro prazo, em 2007, nem no segundo, em 2012. Naquele momento, seus estoques tinham 89,75% da quantidade inicialmente declarada de 31,1 milhões de toneladas. Os EUA explicaram que isso se devia à preocupação com possíveis consequências ecológicas de reciclagem.

    De acordo com informação oficial do Departamento de Defesa dos EUA, até o momento foram destruídas "mais de 90%" dos estoques de armas químicas, ou seja, a situação não mudou muito após a última data limite estabelecida. Entretanto, o Pentágono se mostra mais otimista.

    "Os Estados Unidos têm tido progressos significativos em relação à destruição de todos os nossos estoques e estamos completamente comprometidos com conclusão segura e imediata de destruição de todo o artesanal de armas químicas. Destruímos mais de 90% do nosso estoque. Ainda estamos no caminho para a data prevista de conclusão – dezembro de 2023", declarou a porta-voz do Pentágono Michelle Baldanza.

    Segundo ela, os EUA não possuem programa de armas químicas ofensivo, e o restante que será destruído se trata de agentes nervosos e mostarda de enxofre.

    Ela confirmou que a eliminação é realizada em dois locais: em Pueblo, no estado do Colorado (3.141,12 toneladas) e em Richmond, no estado do Kentucky (475 toneladas).

    No ano fiscal de 2017 (iniciado em 1º de outubro de 2016), foi alocado ao orçamento da Defesa dos EUA mais de 551 milhões de dólares para a "Destruição de armas químicas e munições". Um ano depois, mais de 991 milhões, e está previsto mais de 993 milhões de dólares em 2019. O volume total do orçamento da Defesa dos EUA nos últimos anos foi de mais de 600 bilhões de dólares e cerca de 700 bilhões somente em 2018.

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    Tags:
    destruição, estoque, armas químicas, OPAQ, Departamento de Defesa dos EUA, Congresso, Michelle Baldanza, Sergei Skripal, Grã-Bretanha, Rússia, EUA
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