10:39 21 Julho 2018
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    Laptop mostrando logotipo do Facebook é mantido ao lado de uma placa da Cambridge Analytica na entrada do prédio que abriga os escritórios da Cambridge Analytica, no centro de Londres.

    'Literalmente tudo': o que Facebook sabe sobre nós?

    © AFP 2018 / Daniel LEAL-OLIVAS
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    Por trás de cada atividade, a rede social coleta dados de seus usuários para vender publicidade.

    Depois do Google, o Facebook é a segunda maior empresa de publicidade do mundo, já que 98,5% de sua receita vêm da publicidade. Os anúncios em si "não são necessariamente uma coisa ruim", mas com a finalidade de nos mostrar o mais relevante, a empresa de Mark Zuckerberg "está coletando dados por trás de cada atividade", diz o analista Romain Dillet do portal TechCrunch, que garante que o Facebook "literalmente sabe tudo" sobre nós.

    'Uma grande mentira'

    Dillet descreve os termos e condições do Facebook como uma "grande mentira". Como ele explica, eles são "deliberadamente enganosos, muito longos e muito amplos", então, simplesmente, "você não pode ler os termos de serviço da empresa e entender o que ela sabe sobre você".

    Para descobrir, pode-se fazer o download dos dados do Facebook: basta acessar a configuração de rede e clicar no link que diz "faça o download de uma cópia de suas informações".

    Neste arquivo, encontramos fotos, publicações, eventos, mas se continuarmos procurando, encontraremos mensagens privadas do Messenger (por padrão, nada está criptografado) e até mesmo todo a nossa lista de contatos, metadados (que significam dados sobre dados) relativos a mensagens de texto e telefonemas, adverte o analista.

    Da lista de contatos a mensagens de texto

    Esta compilação constante de dados é exemplificada pela "experiência de incorporação no Messenger", que o autor do artigo descreve como "muito agressiva".

    Baixei meus dados do facebook como um arquivo ZIP. De alguma forma, tem todo o meu histórico de chamadas 

    ​No iOS, o aplicativo exibe uma mensagem pop-up de permissão para acessar seu catálogo de endereços que diz "ok" ou "mais informações". No entanto, se clicar em "mais informações", um botão azul gigante aparecerá com a palavra "ativar", incentivando você a permitir o acesso.

    Enquanto isso, o Facebook continua convencendo-o com mensagens como "Messenger apenas funciona quando você tem pessoas com quem conversar", ou "se você pular essa etapa, você precisa adicionar individualmente cada contato para enviar uma mensagem", que de acordo Dillet — não é verdade, desde que "você pode falar automaticamente com seus amigos do Facebook usando o Messenger sem adicioná-los". E se o acesso à agenda telefônica é dado e, em seguida retirado, o Facebook irá sincronizar seus contatos com seus servidores.

    Na versão para o Android, o Messenger pode ter acesso a suas mensagens de texto e entregar ao Facebook todos os seus metadados — para quem você está enviando mensagens, quando e com que frequência. Mesmo se você posteriormente desativá-lo, o Facebook salvará essas informações.

    E muito mais

    Mas a rede social não pára por aí e realmente sabe mais do que você pode encontrar em seu arquivo baixado, sublinha Dillet. Assim, a empresa recolhe seus dados de localização quando compartilhados com amigos e monitora seu histórico em quase todos os websites usando JavaScript.

    Finalmente, em alguns países onde pode-se fazer pagamentos e transferências entre amigos usando o Messenger, eles também podem obter os dados de seu cartão de banco, alerta o analista, comparando o Messenger com "um grande cavalo de Tróia" projetado para saber tudo sobre os usuário.

    Nesta semana, o Facebook esteve envolvido em um dos maiores escândalos de infiltração de informação, ao divulgar que uma empresa chamada Cambridge Analytica havia coletado dados pessoais de 50 milhões de perfis de rede social para manipular os eleitores e influenciar o resultado das eleições presidenciais nos EUA de 2016.

    O próprio fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, teve que admitir que a rede social "cometeu erros" e se comprometeu a tomar novas medidas para proteger as informações dos usuários.

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    Tags:
    rede social, Facebook, Cambridge Analytica, Mark Zuckerberg, EUA
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