23:10 21 Outubro 2018
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    Donald Trump discursando em evento da NRA em 2017.

    Qual é o lobby que bloqueia o debate sobre venda de armas nos EUA?

    © AP Photo / Mike Stewart
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    A Associação Nacional de Rifles (NRA, na sigla em inglês) mostrou-se um dos lobbies mais poderosos de Washington. Apesar dos seguidos tiroteios nos Estados Unidos, ela consegue bloquear qualquer legislação que crie regras mais rígidas para a venda de armas de fogo.

    Enquanto argumenta que a Segunda Emenda à Constituição dos EUA permite que todo cidadão seja dono de uma arma, a NRA tem feito um poderoso lobby por décadas. 

    História

    A NRA foi criada em 1871 por veteranos militares para melhorar as habilidades de tiroteio na sequência da Guerra Civil Americana.

    No início do século XX, ela promovia cursos de tiro entre jovens e adultos e criou clubes de tiro ao redor do país — inclusive em escolas.

    Já na década de 1930, em meio a uma onda de crimes violentos, a NRA chegou até mesmo a apoiar o controle da venda de armas.

    "Nunca acreditei na prática carregar armas… Eu acho que deveria ser fortemente restrito e apenas sob licenças", disse ao Congresso o então presidente da NRA, Karl Frederick. Ele foi medalhista de ouro de tiro ao alvo na Olimpíada de 1920.

    Em 1977, entretanto, a associação foi dominada por um grupo de ideólogos da Segunda Emenda que transformaram a NRA em um potente lobby contra qualquer regulamentação na venda de armas.

    Quão grande é a NRA?

    A Associação Nacional de Rifles diz ter cerca de cinco milhões de membros pagantes e que continua a apoiar programas de treinamento de tiro, segurança armada e caça em clubes de todo o país.

    Em 2015, a NRA afirma ter arrecadado US$ 337 milhões e gastado US$ 303 milhões. O seu rendimento provém do pagamento de membros, contribuições e repasses de fabricantes e vendedores de armas.

    Influência

    A NRA investe dezenas de milhões de dólares para fazer lobby de seus políticos preferidos — e coloca ainda mais dinheiro para atacar seus críticos. 

    Ela doa relativamente pouco de maneira direta aos políticos e prefere investir ela própria em publicidade.

    Na eleição de 2016, a NRA investiu cerca de US$ 20 milhões em anúncios atacando a democrata Hillary Clinton e outros US$ 10 milhões em publicidade positiva do republicano Donald Trump.

    Durante seus 23 anos na Câmara dos Deputados e agora o Senado, o republicano Richard Burr, por exemplo, recebeu US$ 7 milhões em apoio da NRA, apenas uma pequena parte diretamente.

    Marco Rubio, o senador republicano em destaque com o recente massacre na Flórida, ganhou US$ 3 milhões em apoio da NRA ao longo de sua carreira.

    A organização tem outra fonte de influência: a classificação NRA. Todo político é ranqueado com base no seu apoio à Segunda Emenda. O resultado desta classificação é divulgado agressivamente. 

    Os políticos que recebem a nota "A" recebem doações e votos da NRA; os que recebem "B" já perdem o apoio. A maioria dos democratas recebe nota "F".

    Defensores famosos

    A NRA tem sua cota de celebridades. O ator Charlton Heston, morto em 2008, foi presidente do grupo de 1998 a 2003. O atual líder é Wayne La Pierre, que ganha US$ 5 milhões por ano para defender os direitos das armas. 

    O defensor mais famoso do meio político é o presidente dos Estados Unidos. 

    "Não há fã maior da Segunda Emenda do que eu, e não há fã maior da NRA", afirmou Trump recentemente. 

    Sob pressão?

    Os repetidos casos de tiroteios e massacres, inclusive em escolas, têm aumentado a pressão na Associação Nacional de Rifles por sua defesa intransigente pelo direito de ter uma arma.

    O grupo, todavia, não demonstra nenhuma alteração em sua política.

    La Pierre disse que houve uma "politização" do tiroteio que deixou 17 pessoas mortas na Flórida. Ele afirmou que regras mais rígidas para a venda de armas deixará a população "menos livre".

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    Tags:
    NRA, Donald Trump, Estados Unidos
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