06:32 21 Setembro 2018
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    Javier Bertucci, presidenciável da Venezuela.

    Quem é o pastor evangélico e astro de televisão que desafia Maduro?

    © AP Photo / Ariana Cubillos
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    A dois meses das eleições presidenciais na Venezuela, um opositor improvável surge: o Reverendo Javier Bertucci. Dono de um programa bíblico diário em um dos mais populares canais de televisão e mega-empresário, Bertucci pode capitalizar a crise de representatividade que o país enfrenta.

    Ele afirma ser o único capaz de dialogar com os descontentes com o presidente Nicolás Maduro e com a oposição — que luta para encontrar um nome viável eleitoralmente e tem algumas de suas principais lideranças em prisão domiciliar.

    "Eu sou o único que pode garantir a governabilidade do país", disse Bertucci em entrevista. "Eu viajei pelo país por oito anos, vi as lágrimas das mães… Nenhum outro líder pode acolher os corações doloridos dos venezuelanos".

    A oposição o enxerga com desconfiança e diz que sua candidatura, que até o momento não tem um partido definido, irá legitimar um pleito que será fraudado. 

    O ex-governador Henri Falcón diz que ainda não decidiu se irá participar das eleições. Já a coalizão dos partidos da oposição Mesa da Unidade Democrática (MUD) afirma que não irá participar do pleito caso medidas para evitar fraudes não sejam tomadas. 

    Faltam 5 dias para o fim do prazo de cadastro de candidaturas. 

    Maduro antecipou as eleições presidenciais do segundo semestre para abril e agora também pretende antecipar as eleições para a Assembleia Nacional da Venezuela, que atualmente é controlada pela oposição. 

    Crise de representatividade

    Neste cenário de fragmentação, Bertucci anunciou sua candidatura em um culto transmitido pela televisão na cidade de Valencia. Junto a sua esposa, que também é pastora, ele lidera a Igreja Maranatha na Venezuela. 

    Além de seu programa bíblico diário em um dos mais populares canais de televisão do país, Bertucci também é dirigente de uma famosa organização de caridade que distribui alimentos e brinquedos em bairros pobres.

    O líder evangélico de 48 anos não tem nenhuma experiência política e pode ter problemas legais porque a Constituição proíbe religiosos de ocuparem a presidência. Ele afirma, entretanto, que esta limitação não será um problema. 

    Pesquisa de janeiro do instituto Datanalisis mostrou que 34% da população apoia uma candidatura presidencial independente, enquanto apenas 24% apoia um candidato hipotético da oposição. 

    Cerca de 17% da população de 31 milhões de pessoas da Venezuela é protestante. 

    Para David Smilde, pesquisador Escritório de Washington sobre a América Latina, Bertocci representa a "crise de representação" enfrentada pela Venezuela e o fortalecimento político de líderes religiosos na América Latina. 

    "Eles rejeitam Maduro. Mas o Governo ainda pode influenciar a eleição e a oposição tem lógica em se recusar a participar. Isso deixa a população sem muitas opões", afirma Smilde.

    Offshore de US$ 5 milhões e promessas de campanha

    No discurso em que anunciou a candidatura, Bertucci prometeu buscar recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e derrubar controles cambiais. Ele garantiu, todavia, que não irá buscar vingança contra Maduro.

    "Eu não quero cortar a cabeça de ninguém ou caçar qualquer grupo", afirmou. 

    Em 2010, Bertucci foi detido brevemente após sua empresa ser acusada de contrabandear um carregamento de 5 mil toneladas de combustível disfarçado de tíner. Ele também tem participação em uma companhia de equipamentos médicos da Flórida, nos Estados Unidos, e é dono de uma empreiteira. O líder evangélico já buscou a Mossack Fonseca para abrir uma offshore de US$ 5 milhões, mas não concluiu o processo.

    Ele diz que todos os seus negócios são ligados a sua atividade pastoral e que a offshore que cogitou abrir iria servir para alimentar venezuelanos famintos. 

    "A oposição pensa que, ao não apresentar um candidato, as eleições serão invalidadas", diz Bertucci. "Mas se ninguém enfrentar Maduro, ele continuará no poder e a reputação da Venezuela continuará sendo desacreditada".

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    Tags:
    Mesa da Unidade Democrática, Mossack Fonseca, FMI, Henri Falcón, Javier Bertucci, Nicolás Maduro, Venezuela
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