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    1 ano com Trump: prometeu tornar América grande novamente, mas algo correu mal

    © AP Photo/ Susan Walsh
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    Há um ano, em 20 de janeiro de 2017, Donald Trump assumiu a presidência dos Estados Unidos. Ele prometeu tornar “a América grande novamente” através de reformas econômicas e mudanças na política externa e interna. O colunista da Sputnik Vladimir Ardaev analisou se Trump conseguiu cumprir algumas das suas promessas principais.

    Substituição de importações

    Durante a corrida eleitoral, Trump declarou reiteradamente que um dos objetivos principais da sua administração era o crescimento da economia norte-americana. Segundo ele, a escolha errada das prioridades levou à transferência da produção para outros países e à perda de postos de trabalho. Como consequência, as receitas fiscais caíram e a taxa de crescimento econômico se tornou mais baixa.

    Em 2017, os EUA adotaram uma série de medidas para estimular a economia. O governo reduziu as despesas orçamentais. A Reserva Federal (banco central dos EUA) aumentou a taxa de juro por três vezes para atrair os investidores. Como resultado, o crescimento do PIB acelerou de um por cento a quatro por cento. Entretanto, o crescimento do PIB da China é duas vezes mais alto e representa oito por cento, enquanto o da Índia ainda é maior. Os países em desenvolvimento desempenham um papel cada vez mais importante: nos últimos 50 anos a quota dos EUA na economia mundial caiu de 40 por cento para menos de 20 por cento, assegurou o analista do Sputnik.

    "Entretanto, Trump pode introduzir mais uma medida para acelerar a economia nacional. No fim de dezembro de 2017, ele assinou a sua histórica lei da reforma tributária. Ela já deu frutos: várias empresas norte-americanas anunciaram a transferência da sua produção aos EUA", afirma Ardaev.

    O especialista sublinhou que uma promessa mais difícil é reduzir o número dos imigrantes ilegais. Trump emitiu uma ordem executiva que proíbe a entrada no país dos cidadãos de alguns países islâmicos, mas essa iniciativa foi bloqueada pelos tribunais federais.

    Outra promessa que causou polêmica é a construção do muro na fronteira com o México. Ele conseguiu dinheiro público para ela e foram apresentados cinco protótipos de muro. Mas a construção ainda não começou.

    Sanções em vez de amizade

    As promessas de Trump sobre o melhoramento das relações com a Rússia e o presidente russo Vladimir Putin causaram muita polêmica. Ele declarou que planejava cooperar com a Rússia para combater o terrorismo internacional e encontrar soluções para o conflito no Oriente Médio e outros conflitos regionais.

    "A posição 'pró-russa' de Trump fê-lo uma vítima de pressão política. O Congresso, FBI e Departamento de Justiça dos EUA iniciaram uma investigação à suposta interferência da Rússia nas eleições norte-americanas de 2016, bem como das supostas relações de Trump com a Rússia", disse Ardaev.

    Como consequência, foram introduzidos vários novos pacotes de sanções antirrussas e a retórica do Salão Oval em relação à Rússia se tornou ainda mais negativa.

    O efeito contrário

    Durante a campanha eleitoral, Trump acusou a administração de Barack Obama (ex-presidente dos EUA) de ter tido uma política externa errada que desestabilizava a situação no mundo. Ele declarava que as ações de Obama contribuíram para o fortalecimento das posições do Daesh (organização terrorista proibida na Rússia) no Oriente Médio. Além disso, segundo Trump, a reaproximação dos EUA com Cuba e o acordo nuclear com o Irã são um sinal de fraqueza.

    Trump declarava que os EUA devem continuar fazendo pressão sobre os regimes que ameaçam a estabilidade global (trata-se também da Coreia do Norte).

    No entanto, a estratégia de Trump levou a resultados contrários. A pressão sobre a Coreia do Norte pôs o mundo à beira da guerra nuclear. A cooperação com a Rússia na Síria também não deu certo. As ameaças de fazer colapsar o acordo nuclear com o Irã também aumentaram a tensão no mundo, conclui o especialista.

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    Tags:
    política externa, relações bilaterais, economia, Donald Trump, Coreia do Norte, Irã, EUA, Rússia
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