03:46 23 Agosto 2019
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    Representante permanente dos EUA na ONU, Nikki Haley

    Retaliação: EUA cortam US$ 285 milhões em repasses à ONU após polêmica sobre Jerusalém

    © REUTERS / Shannon Stapleton
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    A Missão dos Estados Unidos para as Nações Unidas anunciou no domingo que conseguiu um contingenciamento importante no orçamento da organização global para 2018 e 2019. Comentando o anúncio, a embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, disse que o corte acabaria com os benefícios que a comunidade internacional ganhou da "generosidade americana".

    Washington "reduziu as funções de gerenciamento e suporte da ONU, reforçou o apoio às principais prioridades dos EUA em todo o mundo e instigou mais disciplina e responsabilidade em todo o sistema das Nações Unidas", informou uma declaração da missão dos EUA.

    De acordo com Haley, "a ineficiência e o excesso de gastos das Nações Unidas são bem conhecidos". Washington deixará de "deixar a generosidade do povo americano ser aproveitada ou permanecer desmarcada".

    "Esta redução histórica nos gastos — além de muitos outros movimentos para uma ONU mais eficiente e responsável é um grande passo na direção certa", afirmou a embaixadora.

    Os EUA contribuíram com a maior participação nos fundos das Nações Unidas, que em 2017 representavam 22% do orçamento ordinário de US$ 5 bilhões da organização. O orçamento ordinário é separado dos fundos das Nações Unidas alocados para suas operações globais de manutenção da paz, que custaram à organização US$ 7,8 bilhões em 2017.

    As contribuições são acordadas pela Assembleia Geral da ONU de 193 membros e são avaliadas considerando o tamanho da economia de um país e outros fatores, incluindo o PIB e a renda nacional.

    Corte

    A administração do Trump repetidamente deixou claro que as contribuições para o orçamento das Nações Unidas poderiam em breve ser limitadas a somas muito menores. Haley, que anteriormente serviu como governadora da Carolina do Sul, disse em sua nomeação como a enviada dos EUA que questionaria se o financiamento dos EUA para a ONU é justificado.

    Em maio deste ano, a proposta de orçamento da administração Trump de 2018 exigia que US$ 19 bilhões fossem reduzidos do Orçamento de Assuntos Internacionais — de US$ 59,1 bilhões no ano fiscal de 2017 para US$ 40,1 bilhões.

    O orçamento proposto também pediu que mais de US$ 710 milhões fossem cortados da conta internacional de manutenção da paz (CIPA). Há 125 mil soldados da paz espalhados entre 16 missões de paz em todo o mundo.

    "Os números apresentados simplesmente tornariam impossível que a ONU continue todo o seu trabalho essencial no sentido de promover a paz, o desenvolvimento, os direitos humanos e a assistência humanitária", disse Stephane Dujarric, porta-voz do secretário-geral Antonio Guterres.

    Problemas

    Ao longo do ano passado, houve casos em que o financiamento inadequado complicou os esforços de ajuda da ONU. Em dezembro, houve relatórios de programas de assistência subfinanciados para a República Democrática do Congo (RDC) e Zâmbia, dois países africanos onde a violência deixou milhares de pessoas deslocadas.

    Os programas de assistência em ambos os países foram "extremamente subfinanciados", de acordo com Babar Baloch, porta-voz do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), que disse que dos US$ 236,2 milhões exigidos na RDC, apenas US$ 54,6 milhões foram recebidos Até agora, enquanto na Zâmbia, apenas US$ 13,6 milhões foram recebidos.

    Em 2015, o Programa Mundial de Alimentos (PAM), dirigido pela ONU, informou que fundos insuficientes obrigaram a agência a cortar entregas de alimentos aos refugiados sírios. As operações regionais de refugiados do PAM foram 81% subfinanciadas e exigiram US$ 139 milhões para continuar ajudando refugiados desesperados na Jordânia, Líbano, Egito, Turquia e Iraque.

    Washington amplificou suas críticas à ONU depois que a Assembleia Geral votou esmagadoramente por uma resolução na semana passada para se opor à decisão do presidente Donald Trump de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel. O próprio Trump sugeriu no início deste mês que os EUA podem cortar a ajuda externa aos países que votaram a favor da resolução, e Haley disse que o governo americano estaria "tomando nomes".

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    Tags:
    orçamento, política, diplomacia, ONU, Stephane Dujarric, Antonio Guterres, Nikki Haley, Donald Trump, Palestina, Israel, Jerusalém, Estados Unidos
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