01:24 21 Julho 2018
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    Presidentes da Venezuela, Nicolas Maduro, e da Rússia, Vladimir Putin

    Em lugar dos EUA: como a Rússia obteve acesso ao gás da Venezuela

    © AFP 2018 / Presidencia - Marcelo GARCIA
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    O presidente venezuelano Nicolás Maduro concedeu à empresa russa Rosneft o direito de exploração de duas grandes jazidas de gás natural situadas no mar do Caribe. O volume total dos recursos das jazidas é avaliado em 180 bilhões de metros cúbicos.

    O acordo permitirá à empresa exportar gás para qualquer ponto do mundo. Para a Venezuela esse evento é único, já que é a primeira vez que o país sul-americano dá a uma empresa estrangeira o direito de exportação de 100% do gás extraído de suas jazidas. 

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    O vice-presidente e secretário de imprensa da Rosneft, Mikhail Leontiev, qualificou, em entrevista à Sputnik, as condições concedidas por Caracas como "exclusivas", e relacionou o contrato à "longa história positiva de parceria mútua" dos dois países. Em agosto de 2017, a Rosneft proporcionou à empresa venezuelana PDVSA um empréstimo de seis bilhões de dólares. A renda que a Rosneft planeja ganhar pode ser bastante superior a este valor, já que anualmente podem ser extraídos até 6,5 bilhões de metros cúbicos de combustível das jazidas de Patao e Mejillones, situadas no mar de Caribe.

    "No mercado internacional não existe problema de liquidez quanto ao gás natural liquefeito", explicou Leontiev, adicionando que não há falta de compradores deste recurso mineral, até mesmo na Venezuela.

    O país sul-americano, sendo um grande consumidor de hidrocarbonetos, carece de tecnologias próprias de extração de petróleo e gás em áreas remotas. Nas décadas de 1980 e 1990, Caracas utilizou tecnologias de extração e investimentos norte-americanos. A chegada do presidente Hugo Chávez foi marcada pela demissão dos executivos de topo da empresa estatal PDVSA, que mantinham laços fortes com os EUA. Em seguida, chegou a hora dos investimentos russos.

    A aproximação entre Caracas e Moscou foi impulsionada por motivos políticos. Em 2002, os militares da Venezuela tentaram derrubar Chávez. O presidente venezuelano, que conseguiu manter seu cargo, acusou Washington de provocação. Enquanto isso, para o líder bolivariano, a Rússia, como oponente dos EUA, virou um parceiro importante. Esta atitude contribuiu para o sucesso empresarial da Rússia. Até 2017, a Rosneft e a PVDSA fundaram cinco empresas conjuntas. 

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    Presidente da Venezuela, Nicolas Maduro
    © REUTERS / Miraflores Palace/Handout via Reuters
    Caso a oposição apoiada pelos EUA tome o poder, a colaboração energética entre a Venezuela e a Rússia pode ser questionada. Desde 2014, a Venezuela tem enfrentado uma grande crise política e econômica, acompanhada por um grave conflito entre os apoiantes do presidente Maduro e seus adversários. Na sequência dos confrontos que aconteceram em 2017 morreram 163 pessoas.

    "Os contratos firmados pela Rosneft são benéficos para os dois lados. Contudo, a oposição assinala que os contratos assinados por Maduro podem ser revisados […] Para a América Latina é comum apelar para a revisão dos contratos. Contudo, quando, por exemplo, a oposição argentina tomou o poder, os contratos assinados com a Rússia se mantiveram", explicou o especialista russo em assuntos latino-americanos Zbignev Ivanovski.

    De acordo com ele, no meio aos confrontos entre Maduro e a oposição, a questão russa não é muito discutida nem posta em causa. No que se refere à extração de petróleo nas áreas remotas, os adversários do presidente, bem como os seus apoiantes, acreditam que o país precisa de tecnologias estrangeiras neste campo. A assistência russa não é rejeitada por nenhum dos lados.

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    Tags:
    investimento, colaboração, gás natural, Venezuela, Rússia
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