14:46 23 Outubro 2019
Ouvir Rádio
    Parada dos atletas em homenagem ao 55 aniversário da Revolução de Outubro, Moscou, URSS, 7 de novembro de 1972

    Revolução Russa deixou sua marca na América Latina, diz o filósofo cubano

    © Sputnik / Eduard Pesov
    Américas
    URL curta
    100 anos da Revolução que mudou o mundo (7)
    1086
    Nos siga no

    Os fenômenos políticos da esquerda latino-americana têm suas raízes na Revolução Russa que completa 100 nesta terça-feira, disse o filósofo cubano Enrique Ubieta, diretor da revista Cuba Socialista, à Sputnik.

    "Todos nós que lutamos hoje pelo socialismo, a Justiça social, somos filhos da Revolução de Outubro, de Vladimir Ilyich Lenin (1870-1924)", disse Ubieta.

    Para Ubieta, os revolucionários latino-americanos herdaram a estrada aberta na Rússia em outubro de 1917 (dia 7 de novembro, no calendário gregoriano).

    "Viajamos por essa rota à nossa maneira, com nossas ideias e nossa criatividade, mas temos essa dívida histórica", disse ele.

    Esse antecedente é importante e está vivo porque o que parecia que ia "se apagar em meio da onda neoliberal na década de 1990 renasceu no continente, isto é, as raízes estão vivas", disse ele.

    Para salvar a humanidade de sua autodestruição hoje é necessário lutar contra o imperialismo "predatório", acrescentou Ubieta. Ele ressaltou ainda que, após a derrubada do regime czarista na Rússia, houve "uma espécie de onda de choque" que deixou uma influência marcada na América Latina e no Caribe.

    Lênin, o líder dessa revolução, abriu o caminho de forma inesperada, "em um grande país e multinacional, mas na periferia", e não como Karl Marx e Frederick Engels tinham previsto nas nações desenvolvidas, explicou.

    Lênin, Martí e Cuba

    Ubieta enfatizou que Lênin e o poeta e o herói da independência cubana José Martí (1853-1895) não se conheciam, mas concordaram com a advertência sobre o perigo do imperialismo, particularmente porque analisaram a emergência nos Estados Unidos.

    Lênin descreveu tal fenômeno em seu livro Imperialismo, a Fase Superior do Capitalismo, no qual explicou que a primeira guerra com esse personagem ocorreu precisamente com a intervenção em 1898 da Marinha dos EUA em Cuba, quando o domínio espanhol já estava morrendo.

    Martí, por sua vez, morou nos Estados Unidos de 1880 a 1895, viu e estudou a gênese desse sistema e advertiu em seus escritos sobre esse perigo para Cuba, Caribe e América Latina, disse Ubieta.

    Estas coincidências explicam por que, em agosto de 1925, quando um colaborador socialista idoso de Martí nos preparativos para a independência, Carlos Baliño, e o jovem estudante universitário Julio Antonio Mella fundaram o Partido Comunista de Cuba, em um congresso clandestino, uma foto do autor de Versos Simples e outra de Lênin presidiram a reunião, observou.

    O governo de Cuba celebra a data nesta terça-feira com uma festa de gala política e cultural no Teatro Karl Marx, com um programa de atividades para o centenário da Revolução Russa.

    Diversas formas de celebração têm ocorrido há várias semanas em todas as províncias cubanas e em instituições como a Biblioteca Nacional, o Instituto de História Cubana, a Amizade com os Povos, e o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias.

    Tema:
    100 anos da Revolução que mudou o mundo (7)

    Mais:

    A Revolução que mudou o mundo
    Especialista: 'Duas teorias explicam as origens da Revolução Russa'
    Na Rússia são detidos extremistas que preparavam revolução para este fim de semana
    Tags:
    política, Revolução de Outubro, Revolução Russa, socialismo, comunismo, Carlos Baliño, José Martí, Frederick Engels, Karl Marx, Lênin, América Latina, Cuba, União Soviética, URSS, Rússia
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar