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    'Ninguém sabe o que se passa nas agências de inteligência dos EUA'

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    Quando se trata da capacidade dos serviços de inteligência dos EUA de recolher, guardar e analisar os dados de qualquer pessoa a qualquer hora, de fato, nada pode pará-los. Vigiar o que alguém está fazendo dentro das agências de inteligência, contudo, é totalmente diferente.

    Os comitês de inteligência do Congresso, a Lei de Vigilância de Inteligência Estrangeira (FISA, na sigla em inglês) e "até mesmo a administração não têm controle real do que se passa dentro das agências de inteligência. Eles não conseguem verificar o que estão fazendo; trata-se de um problema real, pois até os diretores podem não saber o que está se passando", comentou o ex-oficial da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês), Bill Binney à Sputnik Internacional.

    Quanto ao uso do governo norte-americano de empreiteiros para facilitar suas operações, o ex-ativista Barrett Brown disse à Sputnik Internacional em março que "há muito acontecendo nessas empresas contratuais, tanta compartimentação que nem uma pessoa sequer sabe exatamente o que se passa nos dias atuais".

    Nesta semana, o Comitê de Inteligência do Senado aprovou a Seção 702 da Lei de Vigilância de Inteligência Estrangeira. A lei "autoriza mais uma vez nossas autoridades nacionais mais valiosas de inteligência e garante que homens e mulheres da comunidade de inteligência e as agências legais possam executá-la para garantir a segurança", declarou em outubro o senador Richard Burr.

    A autorização repetitiva da lei é um mero teatro, porque as agências de inteligência têm capacidades de contornar a lei de qualquer modo, disse Binney. "Vocês podem escrever qualquer número de lei: as agências podem violá-las", pois o Congresso desconhece de fato o que acontece dentro das agências de inteligência, declarou o analista.

    Primeiramente, a lei foi assinada pelo presidente norte-americano Ronald Reagan em 1981. A ordem requer que as agências federais cumpram com os pedidos da Agência Central de Inteligência. Uma disposição da lei, por exemplo, permite recolher a informação "que pode violar as leis federais, estatais, locais e estrangeiras". Em outras palavras, dá direito aos serviços de inteligência de violar a lei, independentemente de quem a adotou.

    Nesta semana, os senadores Ron Wyden e Rand Paul introduziram a Lei de Direitos, que foi descrita pela Fundação das Fronteiras Eletrônicas como "reforma mais compressiva da Seção 702". A lei vai dificultar o recolhimento de dados de companhias provadas pelo governo.

    Binney não acredita que tal medida possa acabar com a maciça espionagem interna. "Por exemplo, agora e nos últimos 16 anos", a comunidade de inteligência dos EUA "tem violado os direitos dos cidadãos norte-americanos. Bem, se eles podem fazer isso, e simplesmente mudam a lei, então, é isso que continuarão fazendo".

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    Tags:
    dados pessoais, vigilância, espionagem, Agência Nacional de Segurança (NSA), Bill Binney, EUA
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