11:15 20 Julho 2019
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    George Soros testemunhando no Capitólio em Washington

    Bilhões em corrupção, sabotagens e conflitos: 'melhores momentos' de George Soros

    © AP Photo / Kevin Wolf
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    Funcionários da Fundação Open Society (OSF) disseram ao Wall Street Journal que George Soros transferiu uma considerável parte de sua riqueza para a organização durante vários anos, embora o valor exato tenha permanecido em segredo até terça-feira (17).

    A revelação faz da OSF de Soros a segunda maior organização "filantrópica" nos EUA, atrás da Fundação Bill e Melinda Gates.

    A revelação deste enorme valor assusta os opositores políticos e ideológicos de Soros. Nos Estados Unidos e em todo o mundo, Soros e sua sociedade civil de concessão de fundos têm sido a principal causadora de controvérsias relacionadas às tentativas de interferir ou manipular as eleições democráticas e outros processos políticos através do financiamento para "desenvolvimento da democracia”.

    Estados Unidos

    As críticas contra Soros incluíram acusações de que o bilionário tentou "desestabilizar" o país durante as eleições de Donald Trump. No mês passado, mais de 150 mil americanos assinaram uma petição da Casa Branca para declarar Soros como terrorista doméstico e para retirar seus bens. A petição, que afirma que Soros está usando sua riqueza para tentar "facilitar o colapso do sistema e do governo constitucional" nos EUA, ganhou resposta oficial da Casa Branca ao coletar mais de 50.000 assinaturas.

    As iniciativas de Soros através da OSF incluem apoio financeiro para a Media Matters for America, uma organização de supervisão de combate à mídia conservadora. Durante a corrida presidencial de 2016, Soros apoiou Hillary Clinton e o Partido Democrata, contribuindo oficialmente com mais de US$ 10,5 milhões (R$ 33,3 milhões) para a campanha. O bilionário também apoiou grupos republicanos neoconservadores como o Instituto McCain.

    Mulheres com chapéus rosa e placas se reúnem em protesto contra a presidência Donald Trump, no dia 21 de janeiro de 2017, em Washington. No início deste ano, a mídia dos EUA informou que Soro contribuiu com US$ 246 milhões para parceiros da Marcha das Mulheres
    © AP Photo / Jose Luis Magana
    Mulheres com chapéus rosa e placas se reúnem em protesto contra a presidência Donald Trump, no dia 21 de janeiro de 2017, em Washington. No início deste ano, a mídia dos EUA informou que Soro contribuiu com US$ 246 milhões para parceiros da Marcha das Mulheres

    Europa Central e Oriental

    O ódio sobre Soros por manipular a política local é ainda mais forte na Hungria, seu país natal. No início deste mês, a Comissão Europeia emitiu um ultimato sobre a organização não governamental e as leis de educação, que restringem os grupos da sociedade civil financiados por Soros que operam na Hungria. Bruxelas declarou que poderia vir a encaminhar o caso para o Tribunal de Justiça da UE.

    O Primeiro-Ministro húngaro, Viktor Orban, fala durante seu discurso sobre o estado da nação, em Budapeste, em 10 de fevereiro de 2017. Entre os líderes mundiais, Orban é conhecido como um crítico assumido de Soros
    © REUTERS / Laszlo Balogh
    O Primeiro-Ministro húngaro, Viktor Orban, fala durante seu discurso sobre o estado da nação, em Budapeste, em 10 de fevereiro de 2017. Entre os líderes mundiais, Orban é conhecido como um crítico assumido de Soros

    Anteriormente, os legisladores húngaros aprovaram uma lei que estipula que as ONGs que recebem mais de 24 mil euros por ano devem divulgar seus patrocinadores estrangeiros, bem como devem se registrar como organizações patrocinadas por financiadores estrangeiros. A Universidade Centro-Europeia de Budapeste, outra iniciativa financiada por Soros, destinada a treinar elites políticas regionais, foi legalmente deixada de lado, depois de o governo ter adiado sua licença. A universidade, anteriormente chamada de "Soros University",  acusou o próprio bilionário de incentivar a crise dos refugiados da Europa para desestabilizar o continente.

    Os grupos afiliados de Soros também desempenharam um papel fundamental na turbulência na Ucrânia, que viu a derrubada do governo democraticamente eleito de Viktor Yanukovych em fevereiro de 2014. Em agosto de 2016, DC Leaks expôs “o envolvimento de Soros e suas organizações no golpe”, que visam influenciar atores relutantes ocidentais para se juntar à “democratização” e “ocidentalização” da antiga República soviética.

    O presidente ucraniano, Pyotr Poroshenko, (segundo à esquerda) e George Soros (à direita), fundador e presidente da Open Society Foundations, durante uma reunião em Kiev
    © Sputnik / Nikolay Lazarenko
    O presidente ucraniano, Pyotr Poroshenko, (segundo à esquerda) e George Soros (à direita), fundador e presidente da Open Society Foundations, durante uma reunião em Kiev
    A Rússia perdeu a paciência com Soros e OSF dois anos atrás. Em julho de 2015, o Senado russo colocou a OSF na lista de organizações cujas atividades ameaçam a segurança nacional da Rússia. A Open Society Institute Assistance Foundation, outra organização de Soros, também foi incluída na lista. Em novembro de 2015, o Ministério Público da Rússia incluiu OSF em uma "lista de bloqueio" de ONGs internacionais, considerando suas atividades como "ameaça aos fundamentos do sistema constitucional da Federação da Rússia e à segurança do Estado". Antes da proibição, a OSF tinha operado na Rússia por mais de duas décadas, gastando mais de US$ 100 milhões (R$ 317 milhões) em educação, desenvolvimento de Internet, ONGs e apoio à mídia.

    Participar de tudo

    Soros e suas várias organizações foram responsáveis por uma série de conflitos políticos em todo o mundo, desde o seu suposto financiamento a catalães separatistas até influência no conflito ao redor do povo rohingya em Myanmar.

    Os ativistas afiliados de Soros também foram acusados de envolvimento no incentivo da agitação política na Polônia, promovendo interesses das elites da UE contra o governo conservador polonês. Israel o acusou de enfraquecer a democracia e o culpou de ter tentado expulsar o governo na Guiné Equatorial e de ter manipulado a política local na Malásia antes das eleições de 2018. A OSF foi apontada por envolvimento político em Montenegro e na Macedônia em meio à tentativa dos países de aderir à UE e OTAN. Acredita-se também que Soros e seus aliados estejam fortemente envolvidos na campanha para introdução de sansões cada vez mais fortes contra Moscou por Washington.
    Manifestantes, fora do escritório do líder Jaroslaw Kaczynski, segurando bandeiras com imagens do empresário George Soros, do presidente do Conselho Europeu Donald Tusk e do primeiro vice-presidente da Comissão Européia, Frans Timmermans, durante um protesto em Varsóvia, em 26 de julho de 2017
    © AP Photo / Czarek Sokolowski
    Manifestantes, fora do escritório do líder Jaroslaw Kaczynski, segurando bandeiras com imagens do empresário George Soros, do presidente do Conselho Europeu Donald Tusk e do primeiro vice-presidente da Comissão Européia, Frans Timmermans, durante um protesto em Varsóvia, em 26 de julho de 2017

    Visão de Soros: uma nova ordem mundial (construída sobre especulação monetária)

    Os observadores acreditam que a razão pela qual os grupos afiliados de Soros estão tão fortemente envolvidos na política em todo o mundo, decorre da ideologia globalista do bilionário em prol da "nova ordem mundial", conforme mencionado em seu livro, “A era da falibilidade". Os críticos alertaram que, para alcançar seu objetivo, Soros está disposto a comprar governos, pagar organizações internacionais para espalhar valores anticonservadores, manipular moedas nacionais, incitar agitações políticas e talvez o mais importante — gastar tempo e recursos consideráveis para espalhar esses valores entre os jovens, particularmente nos países em desenvolvimento.

    Entre as maiores controvérsias ao redor de Soros e de suas organizações está a fonte de sua fabulosa riqueza. O acordo de especulações cambiais de 1992 do investidor, que forçou o Banco da Inglaterra a desvalorizar a libra, resultou em um ganho lucrativo de bilhões de dólares. Desde então, ele realizou semelhantes truques várias vezes, inclusive durante a crise financeira asiática de 1997, quando apostou contra a moeda da Tailândia, resultando em seu colapso. Em outras palavras, o "império filantrópico" de Soros não é apenas questionável por si só, mas também enraizado em dinheiro sujo que trouxe sofrimento para milhões de pessoas ao redor do mundo.

    Tags:
    sabotagem, corrupção, conflito, George Soros, Catalunha, UE, EUA, Ucrânia, Rússia
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