15:44 21 Outubro 2017
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    Satélite CubeSat, projetado e construído por cientistas norte-americanos e brasileiros, poderá trazer novas descobertas que melhorarão desde o sinal de GPS de dispositivos móveis, até a produtividade do agronegócio

    Cientistas do Brasil integram projeto inovador da NASA (VÍDEO)

    © Foto: Reprodução / YouTube NASA Marshall Center
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    A NASA e uma equipe de pesquisadores espaciais brasileiros anunciaram uma missão conjunta para estudar fenômenos na atmosfera superior da Terra - uma região de partículas carregadas chamada ionosfera - capaz de perturbar as comunicações e sistemas de navegação no solo e, potencialmente, impactar satélites e exploradores humanos no espaço.

    Os resultados da missão podem ajudar em várias áreas, incluindo em prol de melhores previsões climáticas.

    De acordo com Jim Spann, cientista-chefe da Direção de Ciência e Tecnologia do Centro Marshall Space Flight da NASA de Huntsville, no estado americano do Alabama, dois fenômenos na ionosfera — bolhas de plasma equatorial e cintilação — impactaram os sistemas de comunicação por rádio, satélite e sistemas de posicionamento global (GPS) por décadas.

    Chamada de Força de Pesquisa, Observação e Previsão de Cintilação (SPORT, na sigla em inglês), a missão observará essas estruturas peculiares para entender o que as causa, determinar como prever seu comportamento e avaliar maneiras de mitigar os seus efeitos.

    Para isso, a equipe lançará um satélite compacto do tamanho de dois pães, cujo nome é CubeSat. A expectativa é que ele seja lançado em 2019, ficando na órbita terrestre a uma altura de 350 a 400 quilômetros. A fase operacional do satélite será de pelo menos um ano, segundo a NASA.

    “As comunicações degradadas e os sinais GPS são conhecidos por estarem intimamente ligados a esses fenômenos”, explicou Spann.

    Benefícios ao Brasil

    Para os cientistas brasileiros envolvidos no trabalho com a NASA, as informações serão importantes em várias frentes.

    De acordo com Otavio Durão, gerente de projeto da equipe do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) de São José dos Campos (SP), as respostas ionosféricas a um fenômeno espacial denominado Anomalia do Atlântico Sul ou Anomalia Magnética Sul-Americana — onde a radiação atinge as proximidades da Terra — afeta negativamente os movimentados aeroportos do Brasil.

    “Nosso país está interessado em refinar o processamento do sinal GPS, tornando as decolagens e aterrissagens mais seguras e mais precisas”, afirmou. “Porque tantos vôos internacionais chegam e saem do Brasil, isso deve ser motivo de preocupação para todos os países”, emendou Durão.

    Além disso, o agronegócio também está interessado nas descobertas do projeto.

    “Nosso agronegócio está sempre tentando aumentar a produtividade das culturas. Uma maneira de conseguir isso é usando ferramentas automatizadas. Mas ser capaz de posicionar com precisão esses tratores automatizados e pulverizadores de campo, sem interrupção dos fenômenos solares, é crucial”, disse Luís Loures, gerente do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA).

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    Tags:
    aeroportos, agronegócio, GPS, sport cubesat, espaço, atmosfera, ionosfera, Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), NASA, Luis Loures, Otávio Durão, Jim Spann, Terra, São José dos Campos, Estados Unidos, Brasil
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