17:42 17 Dezembro 2017
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    Juan Caguaripano com sua equipe da operação David Carabobo

    Quem é Juan Caguaripano, o ex-capitão responsável pelo ataque à base militar venezuelana?

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    No domingo (6), um grupo de atacantes, que se identificaram como membros das Forças Armadas da Venezuela, entrou na base militar de Fort Paracamay para "restabelecer a ordem constitucional". Sputnik apresenta tudo o que sabe sobre o líder da chamada operação "David Carabobo".

    As ações ilícitas deste ex-capitão da Guarda Nacional Bolivariana (GNB), de acordo com o Governo da Venezuela, remontam a 2014, quando ele tornou público sua insatisfação com o processo político realizado por Nicolás Maduro e apelou a uma rebelião cívica e militar em resposta à "repressão" dos protestos enquadradas no âmbito da "Salida", uma campanha política incentivada por partidos de oposição que exigem a saída do governo de Maduro e que resultou em 43 mortes.

    Em um de vídeo abril de 2014, Juan Carlos Caguaripano Scott, adstrito ao Grupo Anti-Extorsão e Sequestro da GNB no estado de Amazonas (sul), apelou da clandestinidade aos seus companheiros da Força Armada Nacional Bolivariana da Venezuela (FANB) para intervirem ativamente no rumo político desse país caribenho.

    Ele também disse que há "boas razões para intervir, [entre elas] a ocupação, invasão e violação da soberania nacional por parte de agentes cubanos" e criticou a "imitação de um sistema 'castrocomunista' ao serviço de um partido". Essa conspiração é conhecida como o "Golpe Azul", pela cor do uniforme do oficial do nível mais alto envolvido, o general de brigada da Aviação Oswaldo Sanchez Hernandez, de acordo com El País.

    Posteriormente, o Tribunal Militar 3º de Controle de Caracas ordenou sua prisão. Em 2015, foi incluído pelo Governo na lista de militares suspeitos de fazer parte da chamada "Operação Jericó", uma conspiração que tinha como alvo derrubar as autoridades e assassinar o presidente, informou La Nación.

    Segundo La Nación, Elías Placencia, o promotor de justiça militar que ordenou sua prisão, disse que Caguaripano operava "na clandestinidade no plano conspirativo sob o pseudônimo de Lucas, como encarregado do processo de atrair e recrutar jovens oficiais da componente de Aviação".

    Na madrugada do domingo (6), um grupo de pessoas vestidas com uniforme militar – o ministro da Defesa da Venezuela Vladimir Padrino López disse que esse era um grupo de civis em trajes militares − atacou a base militar na cidade de Valencia, no estado de Carabobo.

    Tal como em 2014, Caguaripano fez um vídeo em que reivindicou a responsabilidade pelo ataque, a que se referiu como o primeiro passo da operação "David Carabobo", uma alegoria à história bíblica de David e Golias.

    Através de um comunicado, Padrino López informou que Caguaripano "foi excluído da instituição por traição e rebelião, fugiu do país e recebeu proteção em Miami, Estados Unidos".

    De acordo com fontes militares, citadas pelo El Pais, Caguaripano conseguiu convencer alguns soldados para esvaziar o depósito de armas. Horas depois do ataque, em sua conta no Twitter, Caguaripano disse que tinha roubado "todas as armas de Fort Paramacay".

    Segundo El País, esta instalação militar é a sede da 41ª brigada blindada do Exército, que tem o maior poder de fogo militar. O controle dessa fortaleza é vital para o governo.

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    Tags:
    rebelião, base militar, ataque, GNB, Juan Caguaripano, Nicolás Maduro, Venezuela, EUA
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