02:30 24 Setembro 2018
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    As bombas de óleo em Lagunillas, Ciudad Ojeda, no estado de Zulia venezuelano (foto de arquivo)

    Atitude seletiva: por que EUA 'poupam' setor petrolífero venezuelano?

    © REUTERS / Isaac Urrutia
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    A Casa Branca impôs sanções contra o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, por "minar a democracia" no país. Entretanto, logo se revelou que Washington se absteve de sancionar o setor petrolífero. Especialistas europeus comentaram à Sputnik em que se baseia o enfoque seletivo dos EUA quanto às sanções.

    Os EUA anunciaram que congelariam os ativos e as propriedades de Nicolás Maduro, o que na realidade parece ser uma brincadeira, já que o presidente venezuelano não possui nenhuns ativos em território norte-americano, o que significa que esta medida é, na sua maior parte, simbólica e declarativa, acredita o jornalista francês Maurice Lemoine, autor do livro "Chávez presidente!".

    "A partir do momento em que Chávez chegou ao poder, os EUA têm tentado pôr fim à revolução bolivariana. Antes de tudo, porque a Venezuela é um símbolo. Ao longo de 15 anos, o país tem exercido uma influência enorme na situação na região da América Latina. No sentido político e econômico, a Venezuela tem sido uma pedra no sapato dos EUA", manifestou.

    Lemoine frisou que os relatórios americanos revelam que Washington destinou 5 milhões de dólares ao financiamento da oposição venezuelana em 2017. O entrevistado enfatiza que a Casa Branca tenta apresentá-lo como se financiasse o apoio à democracia e aos direitos humanos na Venezuela.

    Na realidade, isto quer dizer que estes milhões constituíram um investimento nos distúrbios no país sul-americano, resume o analista.

    Caso a administração norte-americana comece considerando a hipótese de impor sanções antivenezuelanas no setor petrolífero, estas poderiam ter um efeito exclusivamente negativo em Caracas, considera o cientista político Philippe Sébille-Lopez.

    O entrevistado explicou que, para Washington, só lhe bastaria impor sanções contra o setor petroleiro para desestabilizar por completo a situação política na Venezuela, explicou o analista.

    "É evidente que ao atacar a indústria do petróleo bruto, Washington faria com que o governo caísse mais rápido, causando uma crise que privaria Caracas da possibilidade de pagar suas dívidas", assegurou Sébille-Lopez.

    A importância do setor de hidrocarbonetos para a Venezuela se explica por sua dependência dos mercados de exportações para poder manter sua economia viva.

    Não obstante, há um obstáculo para Washington: tais sanções causariam perdas para os próprios EUA, pois o país é um dos maiores compradores do petróleo bruto venezuelano.

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    Tags:
    sanções econômicas, petróleo bruto, Nicolás Maduro, Venezuela, EUA
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