21:22 01 Dezembro 2020
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    A Sputnik Brasil obteve um depoimento exclusivo de uma jovem que vive no estado de Táchira, na fronteira com a Colômbia, e onde segundo os manifestantes mais de 13 pessoas morreram ao longo do dia de votação pela Assembleia Constituinte. Ela descreve perseguição policial, pressão do governo e um estado de caos generalizado.

    A garota, que pediu para ser identificada apenas pelo primeiro nome Larenths por medo de represálias, vive na cidade de Palmira. O local, que tem cerca de 20 mil habitantes e fica na fronteira com a Colômbia, enfrenta uma forte onda de violência desde maio deste ano. Acuada em casa, Larenths não saiu para votar e relatou forte perseguição policial momentos antes e durante o pleito.

    "Em vários municípios do estado, para não dizer em quase todos, há fortes enfrentamentos e a Guarda [Nacional] tem invadido organizações, as casas de muitas pessoas […]. Temos conhecidos [em San Cristóbal, capital do estado de Táchira] dizendo que já não há mais janelas, que colocaram tábuas de madeira nas janelas para evitar a entrada de qualquer coisa. Ontem pela madrugada, a Guarda entrou na casa das pessoas procurando jovens que protestavam", contou.

    Pela manhã, a cidade de Palmira iniciou as eleições com dois centros de votação queimados. "A partir deste momento, se começaram a escutar detonações e estouros", conta a garota. Larenths relata ainda que mesmo na própria cidade, de tamanho pequeno comparado a San Cristobal, há forte esquema policial e vigilância pesada das forças nacionais.

    • Atirador sniper posicionado no teto de uma casa em San Cristóbal, capital do estado de Táchira na fronteira com a Colômbia
      Atirador sniper posicionado no teto de uma casa em San Cristóbal, capital do estado de Táchira na fronteira com a Colômbia
      © Foto / Laurenths/Arquivo pessoal
    • Estradas bloqueadas em San Cristóbal, capital do estado de Táchira na fronteira com a Colômbia
      Estradas bloqueadas em San Cristóbal, capital do estado de Táchira na fronteira com a Colômbia
      © Foto / Laurenths/Arquivo Pessoal
    • Atirador sniper posicionado no teto de uma casa em San Cristóbal, capital do estado de Táchira na fronteira com a Colômbia
      Atirador sniper posicionado no teto de uma casa em San Cristóbal, capital do estado de Táchira na fronteira com a Colômbia
      © Foto / Laurenths/Arquivo Pessoal
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    © Foto / Laurenths/Arquivo pessoal
    Atirador sniper posicionado no teto de uma casa em San Cristóbal, capital do estado de Táchira na fronteira com a Colômbia

    "Nossos vizinhos são funcionários públicos […] e por toda a semana os pressionaram, dizendo qual era o centro de votação mais próximo e que coisas deveriam fazer caso houvessem impedimentos no momento de votar. Esta manhã, quando saíram para votar, se deram contas que havia efetivos da Guarda posicionados nas árvores e nos tetos das casas e quando se tenta armar uma barricada ou algo assim, eles simplesmente começam a disparar", relata.

    Mais cedo, a página do Movimiento UNETE Ucat, mantida por ex-estudantes da Universidade Católica de Táchira fechada pelo governo no ano passado, denunciou a morte de uma criança de 13 anos. A mesma página fala em 13 mortes nas últimas 24 horas. O Conselho Eleitoral de Venezuela, por sua vez, estendeu a votação "por algumas horas" devido a uma "grande fluência de pessoas". 

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    Tags:
    Guarda Nacional Venezuelana, Larenths, Nicolás Maduro, Táchira, Palmira, San Cristóbal, Colômbia
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