17:43 23 Outubro 2018
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    'Relatos horripilantes': Evangélicos de Minas Gerais mandam jovens escravos para os EUA

    © Foto: Pixabay/SammisReachers
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    Igreja Ministério Verbo Vivo, em São Joaquim de Bicas, a 46 quilômetros da capital mineira Belo Horizonte é investigada pelo Ministério Público. Os "fiéis" estariam enviando jovens à Carolina do Norte para trabalharem em regime análogo à de escravidão. A Sputnik Brasil conversou com um deputado que acompanha o caso.

    Quem viaja os 45 minutos que separam a capital de Minas Gerais, Belo Horizonte, em direção a São Joaquim de Bicas espera encontrar a tranquilidade típica de uma cidadezinha do interior. Mas por trás da suposta calmaria, fica a Igreja Ministério Verbo Vivo que agora está sendo investigada pelo Ministério Público do estado.

    O motivo choca: os evangélicos mantenedores da instituição são acusados de maus-tratos e de enviar jovens que estudavam em uma escola da igreja para trabalharem em regime análogo à escravidão na Carolina do Norte, nos Estados Unidos. As denúncias datam de 2009, mas voltaram ao centro da polêmica com uma reportagem da agência de notícias Associated Press.

    A Verbo Vivo está na cidade desde 2005. Presta serviço educacional a cerca de 15 jovens ao custo de R$700 mensais. A primeira denúncia, há oito anos, veio de um pai que alegou a polícia que a igreja estava tentando "retirar a filha". Três anos depois, em 2012, teria sido denunciada ao Conselho Tutelar por supostamente espancar os alunos para "retirar o demônio de seus corpos".

    A Sputnik Brasil conversou com exclusividade com o líder do Governo e integrante da Comissão de Direitos Humanos na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, deputado estadual Durval Ângelo. Segundo o Parlamentar, pais de crianças e adolescentes que estudaram na escola já tinham procurado a Comissão para denunciar alienação parental, ou seja, a igreja proibia contato com os filhos. Em alguns relatos descreviam que os jovens enviados aos Estados Unidos tinham medo de entrar em contato com os parentes e sofrer represálias.

    "Há verdadeiros relatos de horror, alunos descrevendo castigos físicos com uso de varas e palmatórias, além de proibições das mais absurdas do ponto de vista didático", conta Durval. "Uma aluna ouvida pelo Ministério Público e pela Polícia Civil relatava torturas físicas e psicológicas. Crianças de 9, 10 anos eram forçados a contar seus sonhos libidinosos e depois agredidas para expulsar demônios".

    Durval conta ainda que ficou impressionado como "o nome de Deus era usado para tantas barbaridades". O caso à época foi remetido à Procuradoria do Estado e ao MP, que, segundo o deputado, "se omitiram totalmente" de encaminhar a denúncia. A questão também foi enviado ao Itamaraty e à Polícia Federal, que até agora não se pronunciaram.

    Ainda de acordo com o deputado, existem pais que estão há 8 anos sem contato com os filhos. Outros sequer sabem se os filhos estão vivos. A Comissão vai continuar acompanhando o assunto.

    Tags:
    Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Ministério Público do Estado de Minas Gerais, Igreja Verbo Vivo, Associated Press, Polícia Federal, Itamaraty, Durval Ângelo, São José de Bicas, Carolina do Norte, Minas Gerais, Belo Horizonte
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