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    Protestos de oposição na venezuela, em 3 de maio de 2017

    Tentativa de criação de governo paralelo na Venezuela põe em risco toda a região

    © REUTERS / Carlos Garcia Rawlins
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    O recrudescimento da crise na Venezuela, com a proposta da oposição de montar um governo paralelo ao do presidente Nicolás Maduro, vai estremecer ainda mais as desgastadas relações com o Brasil, um dos países da América do Sul, ao lado de Chile, Argentina e Paraguai, que mais têm criticado as ações do presidente venezuelano.

    A análise é da nova coordenadora dos cursos de Relações Internacionais da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), Marília de Souza. Para ela, a tentativa de montar um governo paralelo representa um grande risco de aumentar a convulsão social no país com graves consequências para toda a região. Para a professora, a decisão da Venezuela de considerar os ex-presidentes Jorge Quiroga (Bolívia) e Andrés Pastrana (Colômbia) pessoas non gratas é uma resposta à pressão da comunidade internacional, em especial Estados Unidos e União Europeia, por mudanças no regime, com a libertação de presos políticos, convocação de eleições e a desistência do pleito para criação de uma Assembleia Nacional Constituinte, defendida por Maduro, e prevista para acontecer em 30 de julho.

    "Desde a morte do Hugo Chaves até a chegada ao poder do Maduro, ele já inicia com um processo de baixa legitimidade junto à sociedade venezuelana. Ele é um líder mais radical, com baixa popularidade mesmo entre os chavistas. Ele vem gradualmente aumentando a radicalização no sentido institucional, criando leis e medidas contra a oposição com o apoio da Suprema Corte, que é um órgão importante para sua gestão. Com o acirramento da crise econômica, com a baixa do preço do petróleo, é normal que haja agora uma tentativa de radicalizar ainda mais por conta dos setores ligados ao petróleo e à importação", comenta.

    Marília chama a atenção, contudo, para a radicalização da própria oposição. Segundo ela, é pouco democrática a proposta de criação de um governo paralelo. 

    "Isso vai estimular a violência, os conflitos e a polarização dentro do país. A oposição precisa, por via democrática, chamar a atenção da mídia e da comunidade internacional, hoje mais atenta ao que está acontecendo. O processo pela via democrática é o melhor caminho. Com a maioria no Parlamento e organização maior, eles têm um processo interessante e uma conjuntura regional mais favorável. A onda progressista na América Latina parece ter chegado ao fim. Falta um pouco de paciência para se manterem no jogo democrático. Há uma perda muito grande para a região como um todo se eles rompem com esse processo e afirmam a criação de um Estado paralelo", afirma a especialista. 

    Na visão da professora da Fecap, o acirramento da crise venezuelana tem revelado também outro aspecto importante para a geopolítica da região: a falta de consenso dos países da Organização dos Estados Americanos (OEA) em concordar com a adoção de medidas mais duras contra a Venezuela. Se por um lado países como México, Brasil, Argentina, Colômbia e Chile endurecem o discurso contra Maduro, outros da América Central tem servido como um contraponto à tentativas de ingerência nos assuntos do país, como ocorreu em 2002 com a tentativa de um golpe de estado para derrubar Chávez.

    "A mídia, setores como ONGs, ligadas a direitos humanos, são setores em grande medida financiados pelos EUA, pelos grandes conglomerados. Então a gente tem que olhar um pouco esses atores que têm voz internacional e que são financiados com interesse muito claro, seja pela União Europeia, seja pelos EUA de retirar esse governo do poder, um governo que nacionaliza o petróleo e faz medidas populares que não são vistas com bons olhos. A gente tem o antes e o pós 2002, e a gente está vivendo os reflexos daquela ruptura", observa a professora.

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    Tags:
    economia, golpe de Estado, Assembleia Constituinte, protestos, geopolítica, América Latina, Organização dos Estados Americanos (OEA), Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), Marília de Souza, Andrés Pastrana, Jorge Quiroga, Hugo Chávez, Nicolás Maduro, Venezuela
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