18:52 20 Julho 2019
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    Imagem do presidente boliviano Evo Morales ao lado de Romer Gutierrez Quezada, preso no Brasil por tráfico de drogas

    Ex-assessor de Evo Morales é preso por tráfico de drogas em São Paulo (FOTO, VÍDEO)

    © Foto : Reprodução / Facebook Romer Gutierrez Quezada
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    Uma prisão de quatro homens que seriam traficantes por policiais da pela Delegacia de Polícia de Investigações de Entorpecentes (Dise) de São Bernardo do Campo (SP), realizada há 12 dias, acabou colocando um ex-assessor do presidente boliviano Evo Morales atrás das grades.

    Romer Gutierrez Quezada, de 38 anos, foi um dos quatro detidos pela equipe do delegado José Eduardo Jorge. Também foram detidos Leonardo de Faria, Everton Gambarró Ploia, e Olbis Rueda Garcia. O grupo transportava 99 quilos e 245 gramas de cocaína pura em um carro, com porções da droga distribuídas em 100 tijolos.

    Foi só após o caso ser levado ao conhecimento do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e, com o cruzamento de informações junto à Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA, na sigla em inglês) que foi possível identificar a filiação de Quezada.

    Natural da cidade de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, Quezada é ex-assessor do Movimento para o Socialismo (MAS), partido do presidente boliviano Evo Morales. Em 2009, ele teria atuado na campanha do mandatário do país, de acordo com a sua ex-mulher.

    Recentemente, o irmão da deputada suplente do MAS, Amparo Gutiérrez Quezada, também perdeu o cargo que ocupava como assessor de uma vereadora de Santa Cruz de La Sierra chamada Melody Téllez. A notícia da prisão de Quezada no Brasil repercutiu também na Bolívia.

    “Não temos nenhuma relação com esse traficante de drogas”, declarou o prefeito de Santa Cruz de La Sierra, Tito Sanjinés, também filiado ao MAS. Ele afirmou que Quezada “no máximo” era um simpatizante do partido, jamais tendo sido um membro.

    Já a vereadora que empregou o ex-assessor de Morales se defendeu. “Para nós, a prisão dele nos surpreendeu e, além disso, nos deixou expostos por conta das suas ligações com o narcotráfico e a ameaça que isso representa aos que trabalharam com ele”, disse Téllez, que explicou ainda que ele deixou o posto em 6 de julho, alegando problemas de saúde. Acabou preso no Brasil no dia seguinte.

    Já a Presidência da Bolívia até o momento não se pronunciou sobre o assunto.

    Silêncio

    No Brasil, Quezada declarou que, apesar de compreender o idioma português, preferiria manter o silêncio. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, ele e os três comparsas seguem presos.

    De acordo com a imprensa boliviana, Quezada é membro do MAS desde 2004, mas só passou a ter relevância cinco anos depois, quando a sua ex-mulher o denunciou por pagamentos de US$ 1 mil a líderes universitários contrários às suas ideias e às do partido.

    Além disso, ele tinha planos de voos mais altos na política do país, principalmente em razão de ligações com movimentos sociais.

    Primeiro presidente de esquerda da Bolívia, Evo Morales é também líder sindical dos cocaleiros, produtores de folha de coca. Em março, o líder sancionou legislação que ampliou de 12 mil para 22 mil a superfície legal para o cultivo da planta.

    Embora tenha usos culturais, rituais e medicinais reconhecidos na constituição vigente desde 2009 no país andino, a folha de coca tem parte de sua produção desviada para o narcotráfico para a fabricação de cocaína.

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    Tags:
    segurança, tráfico de drogas, narcotráfico, cocaleiro, folha de coca, cocaína, Melody Téllez, Tito Sanjinés, DEA, Movimento para o Socialismo (MAS), Amparo Gutiérrez Quezada, Olbis Rueda Garcia, Evo Morales, Romer Gutierrez Quezada, São Bernardo do Campo, Brasil, Bolívia
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