00:42 21 Setembro 2018
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    US forces are seen at the Kurdish People's Protection Units (YPG) headquarters after it was hit by Turkish airstrikes in Mount Karachok near Malikiya, Syria April 25, 2017.

    O que há por trás da tentativa do Pentágono em construir novas bases no Iraque e na Síria?

    © REUTERS / Rodi Said
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    Respondendo à pressão do Pentágono, a Casa Branca pediu ao Congresso que conceda permissão para a construção de bases militares "temporárias" no Iraque e na Síria. Pra quê?

    Em um sinal de que pretende aprofundar o compromisso do Pentágono em relação à guerra na região, o secretário de Defesa dos EUA, James Mattis, convenceu o gabinete do presidente Donald Trump a pedir permissão do Congresso para expandir as operações militares no Iraque e na Síria, mesmo com o Daesh (autodenominado Estado Islâmico) sendo destruído e depois da retomada de Mossul.

    As novas "instalações temporárias" aumentarão a probabilidade de uma guerra mais longa, mais dispendiosa e, em última análise, mais mortal em uma região que sofre a mais grave crise dos direitos humanos desde o final da Segunda Guerra Mundial.

    A Casa Branca de Trump emitiu uma declaração na terça-feira sugerindo que os requisitos legais atualmente implementados impedem o Pentágono de se expandir ainda mais na Síria e do Iraque. Nos planos, porém, estão uma base de "reparação e renovação", incluindo "instalações temporárias intermediárias, pontos de abastecimento de munição e áreas de montagem com proteção de força adequada".

    A declaração do gabinete será analisada pela Câmara dos Deputados dos EUA nesta quarta-feira (19).

    A expansão do Pentágono permitiria que os recursos militares dos EUA na área atingissem e atacassem os mais conhecidos fortalecimentos da Daesh na região, de acordo com o diretor de pesquisa do Instituto de Segurança Nacional e Contra-Terrorismo da Universidade de Syracuse, Corri Zoli em entrevista ao Al-Monitor.

    "Parece-me que o que eles estão tentando fazer é conseguir um pouco mais de manobrabilidade para criar alguma infra-estrutura e aprofundar a luta além de Raqqa e Síria", disse Zoli. O pedido para expandir as operações militares dos EUA na área vem diretamente de James Mattis, o atual Secretário de Defesa dos EUA, que "está pensando alguns passos à frente. Ele quer ganhar a paz, estabilizar a região e pressionar militarmente o Irã", completa o especialista.

    Batalha legislativa

    Mas a chancela do Congresso não será facilmente obtida. No Capitólio, há quem acredite que a tática de Mattis pode sugar os EUA para o centro da complicada Guerra Civil na Síria.

    "Os EUA estão derrubando aviões de guerra sírios, drones feitos pelo Irã e lançando ataques com mísseis de cruzeiro. Isso abre a torneira para que eles estabeleçam esses tipos de instalações e fortaleçam a presença militar dos EUA na Síria nessa guerra não-autorizada", de acordo com Kate Gould, um lobista que atua junto ao grupo dos Quakers, o Comitê de Legislação Nacional.

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    Tags:
    Guerra Civil Síria, Segunda Guerra Mundial, Comitê de Legislação Nacional dos EUA, Quakers, Universidade de Syracuse, Instituto de Segurança Nacional e Contra-Terrorismo da Universidade de Syracuse, Capitólio, Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Al-Monitor, Departamento de Defesa dos EUA, Daesh, Pentágono, Congresso dos EUA, Estado Islâmico, Kate Gould, Corri Zoli, James Mattis, Donald Trump, Raqqa, Mossul, Irã, Iraque, Síria
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